“Somos todos parte do que nos lembramos. Guardamos em nós as esperanças e os medos daqueles que nos amam. Contanto que exista amor e lembrança, não existe perda de fato.”

A trupe de Clary e Jace se reúne uma última vez para enfrentar Sebastian e pôr um ponto final numa história que já devia ter acabado três livros atrás.

É compreensível que Cassandra Clare queira continuar se aventurando no universo que ela criou com mais livros, mas é inadmissível que metade desse volume sejam ganchos para uma trilogia paralela. Na esperança de fidelizar ainda mais os seus leitores, Cidade do Fogo Celestial divide boa parte das suas 500 páginas com personagens da série As Peças Infernais. Se ao menos isso fosse feito de maneira empolgante, mas não, todas as (muitas) partes em que Emma aparecia eram extremamente chatas e repetitivas. Se Clary gasta todo o seu tempo de personagem vivo fantasiando com o dourado dos cabelos de Jace, Emma é uma que gasta todos os seus parágrafos repetindo como Julian é o melhor amigo dela. E ela o faz do primeiro capítulo até o último.

O fato do texto ser extremamente repetitivo é mais um dos fatores para que a leitura se torne desnecessariamente longa. Parece que o livro não passou por uma edição porque pelo menos duzentas páginas poderiam ter sido facilmente cortadas, especialmente (como de costume) no epílogo. Cassandra consegue passar adiante o clima de “tudo está acabando, qualquer um pode morrer”, porém não consegue evitar que o fantasma da Nova Trilogia de Star Wars imprima sobre sua história um sentimento permanente de que as coisas fugiram do controle dela: O personagem Sebastian que dera um show no livro anterior, por exemplo, reduziu-se a um dos vilões mais patéticos e sem propósitos que já vi. A aparição do pai de Magnus, que tinha tudo para ser boa, acabou sendo pouco convincente: O vilão falava demais, com uma casualidade fingida.

Um dos pontos positivos que era a crescente tensão sexual e o flerte com as armas perdeu-se totalmente nessa história, infelizmente, e eu realmente não sei como ela conseguiu fazer isso com um plot onde os protagonistas perdem a virgindade numa caverna no meio do inferno.

Na vã tentativa de aprofundar mais ainda o personagem Alec, Cassandra acaba dando a entender que nunca na vida sequer conversou com um homossexual. Ao invés de interessante, Alec acaba se tornando um alívio cômico incômodo. Clary continua uma ótima personagem e Jace também, mas Jace perde o protagonismo um pouco aqui e com isso vão-se para o ralo os bons diálogos que os dois tinham. Acredito que o único ponto positivo mesmo seja a atmosfera video-gamística de last dungeon que permeia a segunda parte antes dela ficar um saco.

É importante ressaltar que todas as piadas e trocadilhos foram infantis e sem graça nenhuma e também que a personagem Isabelle continua um porre nada convincente. O terceiro livro, o que encerra a primeira trilogia, é sem sombra de dúvidas vastamente superior e é com muita tristeza que encerro essa resenha com uma nota baixíssima, mas com boas lembranças dos momentos incríveis que rolaram nos livros que vieram antes desse.

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Os Instrumentos Mortais – Cidade do Fogo Celestial – Cassandra Clare
532 páginas – Galera Record