resenhas_diarios

“Tornou-se um sangue-ruim sem que nenhum de nós percebesse? Harry Potter morreu há mais de vinte anos. Ele era um destes terroristas de Dumbledore que bravamente derrubamos na falha batalha de Hogwarts.”

Alvo e Escórpio resolvem estragar totalmente o belo universo de Harry Potter cometendo o erro de viajar ao passado, afinal, como eles são bruxos e não trouxas, desconhecem a regra básica da viagem no tempo – a de que se você mudar alguma coisa o futuro vai dar ruim.

O livro não conta com o fluir mágico da prosa rowlingniana, mas já estávamos preparados para isso, e não tem o que julgar aqui porque como roteiro de peça funciona em quase todas as partes. O teatro tem aquela pegada mais leve, um humor mais convincente. Infelizmente isso é totalmente extrapolado aqui, com uma série de absurdos NADA convincentes. A história também é bem chocha, não tem atrativo nenhum a não ser o universo mágico de Harry Potter e apoia todo o seu sucesso nos personagens antigos, numa enxurrada descarada de fanservice. O único personagem cativante da nova geração é Escórpio. O próprio Alvo Potter é um dos personagens mais desagradáveis e chatos do mundo, um Woody dos primeiros rascunhos de Toy Story. A trama beira o absurdo e o forçado sem o menor respeito aos fãs e aos livros anteriores. Todos esses fatores unidos, além da certeza de que esse livro não deveria existir, me faz ter a certeza que ele merecia um novo título: Boruto! Não se engane, todas as pessoas que elogiaram esse livro só conseguem destacar uma coisa de positivo, que é o fanservice (que apesar de escancarado, nada de Ted Lupin, sras e sres).

O maior problema de todos ainda é o mesmo problema que Harry Potter passou por toda a sua vida no Brasil: A Editora Rocco. Lembram-se? O Hot Stamping dos títulos que deteriorava até sumir, a diagramação dos livros que não conversava uma com a outra (especialmente o sexto), a edição da Câmera Secreta que além de ter uma passagem em que o Rony chama o Harry de Jerry, ainda tem a coragem de ser o único livro numa série de sete a ter um índice. Isso sem contar a variação do nome da pobre Kate Bell pra Kátia e Cátia. Eis que a Editora Rocco lança essa fanfic, não como deveria ter sido, uma história não-canônica, um experimento teatral, uma breve revisita mágica ao mundo de Harry Potter, mas sim como o tão esperado OITAVO LIVRO DA SAGA, a desculpa perfeita pra nos vender uma edição em capa dura por no mínimo 50$.

Eu devia dar uma nota 1 apenas pela fofura do Escórpio, mas como esse livro é tipo um Cinderela 3, a nota também vai ser 3.

3 Tonks

 Saiba mais no Skoob
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – Jack Thorne e John Tiffany
352 páginas – Editora Rocco