mais um da série da Cumbuca Camilar.
Publicado pela primeira vez em 24 de agosto de 2023.
E um pouco do wikiaves e dos espaços internéticos.
Há um mix de luto e vício na minha relação com o ex-twitter atualmente.
Eu não consigo mais tuitar direito (xiszar, postar, sei–lár) ultimamente, tudo bem que há a questão do vício, do “vou abrir aqui rapidinho”, e que já estava se fragmentando desde que virou um lugar insalubre (mas aquela coisa, era o nosso lugarzin insalubre, onde apenas algumas piadas funcionam, foram décadas de construção de um humor muito depreciativo específico que não sobrevive igual em outros espaços também insalubres, anos acompanhando desenhistas e escritores aleatórios que não sei como vou acompanhar já que também fiquei órfã do google reader nesse meio tempo…), mas ainda assim…
Eu habito aquele espaço duvidoso do ex-passarinho desde 2009, passamos por tuítes minúsculos, quando postávamos realmente o que estava acontecendo e pagávamos sms pra postar fora de casa, aí vieram as imagens que precisavam ser hospedadas em outro site, os gifs, uma evolução até a vida inteira ficar por lá.
É tempo demais e muita mudança.
A timeline era cronológica e a gente também era um pouco mais cronológico. Hoje bem menos.
Aí, nessa news desse mês vim escrever sobre esse vazio ainda que bate de não ter vontade de tuitar bobagens, já que tuitar bobagens era de fato um momento necessário do meu dia. Tuitar opiniões, embasamentos, coisas úteis me soa como trabalho nas redes sociais e eu já trabalho em tantas áreas da vida que as bobagens eram necessárias.
Bobagens como:
Essa thread acompanhando assistir Vamp.
Essa thread que larguei no meio da linda jornada de rever A Usurpadora em espanhol agora que tenho idade para rir ainda mais e abracei minha alma cringe entretenimento (a thread foi abandonada, mas diferente dela ainda estou vendo capítulos sequenciais de um Carlos Daniel falando “errei, fui mulek” e eu pensando no potencial de fanfic da Paulina ficar com o milionário Maldonado).
Ou quando estava fazendo uma pesquisa pra uma história que ainda não terminei e passei semanas dentro do wikiaves contemplando a capacidade de comunidade que a internet tem.

Alguém viu? Alguém não viu? Tudo certo também, bobagens a gente posta pra gente, pra que alguém esboce ali um sorriso ou pra registrar momentos e voltar neles depois (tanto que a quantidade de ferramenta baseada em resgatar post antigo e nostalgia que tem em todas as redes sociais não é por acaso). Claro que lá atrás em 2009 o rolê era “nossa, preciso fazer algo que traga gente para perto, que tenha rt (manual kkkkk), curtida, seguidor”, mas hoje em dia quem tem isso sofre tanto que tem coisas que são livramentos (ou isso pode ser frase de quem não tem mais alcance HAHA mas hoje em dia nem seguidor significa entrega, então nem isso salva… e pra postar uma foto de um bolo que eu fiz no insta e isso chegar na minha família ainda preciso pensar em algoritmo como se fosse um trabalho).
Mas nossa… eu não consigo mais acessar esse clima de bobagens aleatórias por lá ultimamente. Fica uma sensação meio falsa. Eu vejo quem ainda consegue como se fosse aquela criança triste na janela vendo as outras brincarem na grama do quintal (“mas, Camila, nessa analogia pobre era só você sair da casa e ir pro quintal”, pois é, analogias pensadas rapidamente são meio medíocres às vezes, ou talvez seja um sinal de que não é sobre o quintal e sim sobre a companhia??? Reflexões demais para um parênteses já maior que o parágrafo em si).
E nesse mix de luto e vício estou no meio do caminho entre não ter outro canto pra habitar onlinemente ainda com minha persona de twitter.
E no fim da news de hoje trago uma notícia xuxu de que esse mês ainda tem Desenredos na nova casa <3
Desenredos pra quem não viu ainda, ou não sabe, foi minha HQ feita com o ilustre Pedro Vó sobre uma caminhoneira que dá algumas caronas enquanto tem uma entrega importantíssima a fazer por esse Brasil. É o aniversário de 5 anos da HQ e agora ela vai pro formato digital pela Conrad!

Pra quem não viu ainda, corre aqui que tem o preview grandão, e fiquem de olho nas redes da Conrad pra garantir a versão digital dessa xuxu que está esgotadíssima (duas vezes pra nossa emoção). <3
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