Mais um da série da Cumbuca Camilar.
Esse foi publicado em 04 de junho de 2023.
Desde aniversários, história, personagens até um morcego medieval
Isso dito, vamos à questão que tem realmente perpassado minha mente desde muito tempo. E esse mês que passou trouxe uma série de compilações.
Nomes.
Nomes de coisas, de pessoas, o dia do nome (acho muito xique falar de aniversário como “ah, é o dia de meu nome”, muito errepegístico. Acho inclusive interessante aquele costume de comemorar 2 aniversários quando se tem nome de santo cristão também, então você tem o seu aniversário e o aniversário do seu nome.)…
Por coincidência, sempre que algum tema começa a ser trabalhado minha mentch, a gente começa a ter uma junção peculiar de outras coisas também comentando sobre o tema (isso acontece muito nas gravações do Multiverso X, aliás, temos um tino incrível pra falar sobre temas que combinam com feriados, com situações que vão ser faladas depois, é quase uma sintonia haha). Dessa vez, a sintonia foi com um podcast que tenho escutado com certa frequência pra trabalhar, o Rádio Novelo. O cast que saiu dia 11 de maio foi o seguinte:
Uma das histórias relatadas fala sobre pesquisadores que realizaram um trabalho que descobriu que os nomes consolidados, por exemplo, Aqualtune, mãe de Ganga Zumba, seria um erro do escrivão. Ganga Zumba também. Silvia Runold Lara e Phablo Roberto Marchis Fachin falam sobre esse processo e as questões do poder de um nome, traduções, e sobre história. Inclusive tem um trecho incrível de Silvia no cast que transcrevo logo abaixo:
Ela fala que a história “não é para corrigir erros, para saber quem é que está mais certo ou não, mas sim para refazer essa história e transformar essa história no nosso ponto de partida, para ações no dia de hoje e para a construção de um futuro […] Para construir um futuro de igualdade e justiça social.” (trecho de uma fala da Silvia no podcast)
Onde fica o poder de um nome do lado de redescobertas históricas? Onde fica nossa relação com nomes e a natureza de cada pessoa?
Nesse intervalo eu acabei lendo algumas peças antigas para o curso de teatro que estou frequentando, entre elas, Aululária (também conhecida como “ué, o Suassuna não fez isso em o santo e a porca?”), uma peça romana de Plauto escrita ali em meados de 195 a.C., com algo de comédia muito próximo do que faz rir ainda hoje (problemas inclusos, como toda obra de comédia haha), mas o foco aqui são os nomes de personagem, todos têm um significado. Euclião, o avarento protagonista, significa “o que tem glória ou boa fama”, já Megadoro, o candidato a genro riquíssimo, significa “aquele que possui grandes bens ou qualidades”. Cada escolha foi ali baseada em passar uma mensagem desde o início.
Então onde fica o significado de um nome dentro do contexto? Ou mesmo da ausência desse guia possível?
Em vários momentos eu não batizei minhas personagens, Desenredos é um dos exemplos principais, nem a caminhoneira, nem suas caronas, tem nomes. Elas têm jornadas, tem problemas, conflitos, necessidades, mas não têm nomes.
Já em Cummulus a moldadora deliberadamente não carece de um nome, ela me obrigou ali a fazer um arremedo de um em uma cena específica (o que foi uma labuta enorme), mas não quis ficar com ele. E não era de um lugar de preguiça, era um lugar de não precisar de nome.
E por que precisamos nós de um?
O que um nome de fato carrega? Esperança do que vamos ser? Ou do que queremos? Quando nos vem a possibilidade de batizar algo, alguém, nós mesmos, o que envolve essa escolha? Onde nossa mente mora? No nosso nome?
Nesse mês de aleatoriedades eu me distraí com frequência com coisas aleatórias, uma delas foi “eita, onde foi que o meteoro que matou os dinossauros caiu?”, pensei “ah, beleza, ele era grande, MAS QUÃO GRANDE?”. E aí fui nas internets até encontrar esse artigo aqui.
A cratera Chicxulub. Um nome simplesmente maravilhoso de pronunciar. Eu acabei decorando como escrevia apenas por esse motivo. Aí, avancei: pensei “mas, gente, que diabos é chicxulub?” (eu estava realmente num loop entretido, admito).
Aí fui descobrir a cidade de Chicxulub em Yucatán, que significa, atenção: cuerno de venado prendido (que, pelo que demorei horas conversando com minha irmã e cunhado, seria algo no sentido: lugar de chifre/galhada incendiada, talvez aquela sensação de quando um inseto te morde e tudo arde loucamente, já que xulub seria uma pulga do demônio). Achei poético um meteoro de proporções colossais cair num lugar com um nome desses. E fiquei me perguntando sobre as tais pulgas.
Essa news desse mês não tem exatamente um propósito nem conclusão referente às reflexões sobre nomes e afins, mas sim consolidar aqui numa linha as caoticidades específicas que passaram nesse mês nesse tema.
Então, assim sendo, pra fechar bem fechadinho eu trago ele, o tal morcego medieval:

Precioso.
Fofo.
O sorriso de milhões.
Eu tinha visto o bendito em algum tuíte extremamente aleatório e fui então caçar onde ele morava, e encontrei aqui oh. Um bestiário e índice de vários bichinhos diversos inclusos lá de cerca de 1236. Cheio de nomes de bichos, acompanhados de imagens, e das sensações que quem ilustrou (ou dos “quens”) quis passar (inclusive tem uma página só dos 7 pecados capitais com umas quimeras bizarríssimas).
E é isso para hoje.
Um abraço nesse domingo aniversariante, cheio de nomes, coisinhas e meus 31 anos.
(passem no catarse e apoiem o livro novo, beijos):
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