A Valsa dos Adeuses – Rapidinhas #5

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“O guitarrista propôs a Klima acompanhá-la de carro até a estacão das águas, atrair a moça até a estrada e atropelá-la. – ‘Ninguém vai poder provar que ela não se precipitou por conta própria embaixo das minhas rodas’.”

Me entristece muito saber que o mesmo escritor do meu terceiro livro favorito, A Insustentável Leveza do Ser, e de várias outras obras incríveis (um baita filósofo) tenha conseguido cagar esse lixo tão machista, tão misógino e tão nojento. E olha que é o sétimo livro dele que eu leio.

Na verdade nós sabemos que Kundera é um machista de carteirinha, mas eu tento relevar isso por conta da sua incrível habilidade de explicar a psicologia que regra as atitudes dos seus personagens, especialmente não se tratando de personagens femininas (já que lhe falta empatia). Podemos aprender muita coisa com os seus livros. O cara escreve realmente bem, você realmente chega a valsar com os personagens à medida que cada um deles dá o seu passo. A leitura flui.

Infelizmente para as pessoas mais esclarecidas o óbvio é visível. A habilidade de Kundera de se aprofundar no coração dos seus personagens e torná-los tão humanos é lendária quando não se trata de se pôr nos pés do sexo oposto. Não é de se admirar que o único livro com baixo teor de machismo desse cara tenha ganhado tantos prêmios (A insustentável Leveza do Ser sempre será um livro maravilhoso), diferente desse.

Machismo à parte, mas nem tanto, eis uma história básica, com personagens nojentos, uma reviravolta bem legal, um aprofundamento psicológico básico dos livros de Kundera (e muito bem-vindo sempre). Mas isso não é o suficiente. A trama insossa atrapalha o ponto mais alto do livro, que é o ritmo. Para todos os efeitos, sim, é uma valsa literária. Isso e o fim que levou a trama dos comprimidos garantiram dois Gabos de nota. E isso é muito. Como dar nota pra um livro onde um homem sugere para o outro atropelar uma mulher porque ela não quer abortar?

Enfim, leia por sua conta e risco.

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A Valsa dos Adeuses - Milan Kundera
224 páginas - Nova Fronteira

O Evangelho Segundo os Camelos – Projeto CdC

gerson stumbo

E foi lançado O Evangelho Segundo os Camelos – Cânone Incompleto de um Apóstolo Inacabado! Primeiro projeto do CdC que em breve vou divulgar por aqui :D

E saiu o primeiro livro fruto do projeto do Castelo de Cartas para autores independentes, não vou entrar em muitos detalhes, porque em breve solto as novidades de vez. hehe

Esse livro é do Gerson Stumbo, que trabalhou comigo e com o Jeferson Rocha para lançar seu primeiro livro, O Evangelho Segundo os Camelos – Cânone Incompleto de um Apóstolo Inacabado. Vem conferir as infos sobre o livro:

Sinopse:
Os Camelos inventam palavras, para em seguida tornar-se escravos delas.
Filosofia, razão, verdade… ontem, obras de arte, hoje, peso morto sobre as corcovas!
Se eu levar meus pressupostos até as últimas consequências, conseguirei mostrar os absurdos do nosso tradicional pensar?
E se os demonstrar, conseguirei viver sem um mínimo de aceitação tácita de tais absurdos?
Vinde, ó, Camelos, eis que vos trago palavras de Vida!
Palavras de lenta digestão, sem pressa, no entanto, sem moderação!

E sobre o autor:

Atualmente, eu, Gerson Stumbo, sou muitíssimo bem casado, pai de duas filhas brilhantes e habitante do bucólico interior do curioso Estado de São Paulo. Trilhara o provocativo caminho da fulgurante graduação em História (UFF), especialização e atuação profissional na laboriosa área do Ensino. Outrora obtivera o exultante título de Mestre em Filosofia (PUC-Rio), a saber, não um campo do conhecimento, mas uma excitante Musa por quem sou apaixonado, e da qual provém a inspiração para o meu “Evangelho, Segundo Os Camelos”.

Ele foi lançado em formato epub, e está disponível para compra na Saraiva e Amazon!

Não deixem de conferir :D

O Evangelho Segundo os Camelos – Cânone Incompleto de um Apóstolo Inacabado
Autor: Gerson Stumbo
Páginas: Livro digital, aprox. 106
Editora: Independente
Link do Skoob

O Planeta dos Macacos – Rapidinhas #4

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“Ouço uma cacofonia bárbara. Algo como uma paródia de música militar… Socorro! São eles, os macacos! Estão nos cercando. São liderados por enormes gorilas. Pegaram nossas trombetas, nossos tambores e nossos uniformes; nossas armas também, naturalmente… Não, não tem armas. Ó cruel humilhação, suprema ofensa! Eis seu exército chegando e eles agitam apenas chicotes!”

ENFRENTEI UM WRITER’S BLOCK PESADO! Um resenhator’s block. Sei lá.
E escapei resenhando um livro beeem fininho e gostoso. Eu estou mais surpreso do que você de ver O Planeta dos Macacos aqui, é sério.

O Planeta dos Macacos é um dos melhores livros de ficção científica (e definitivamente uma possível porta de entrada para essa categoria, e diz-se de passagem, obrigatório para os que a curtem) que eu já li. O peso maior do livro está na constante tensão entre enaltecer o homem/homenagear as suas ciências e evoluções e entre diminuí-lo ao compará-lo com a raça dos macacos e dar-lhe um destino fantasiosamente macabro. Essa característica está presente no próprio personagem principal, que luta desde o início para provar ser um ser superior, mas não pode evitar a decaída constante de sua (nossa) raça.

Vale lembrar que o livro é bem díspare com relação ao filme de 1960 (e bem melhor também como quase sempre): Os macacos do livro apresentam uma sociedade bem mais evoluída e esquematizada. O clímax do livro difere bastante do filme (sem a famosa cena da estátua da liberdade), mas na minha opinião foi bem melhor. Pierre Boulle conseguiu imprimir em seu texto uma sensação de horror misturada com fascínio que poucos livros tem. Além disso, ele foi bem-sucedido em pegar uma ideia simples e expandi-la de forma bem original e sem passagens inúteis (O epílogo é ótimo e o final é glorioso). Há uma pitada filosófica nos diálogos entre os personagens também que convida o leitor a refletir sem chamá-lo de idiota.

A coisa toda é simples e bela e – como todo texto simples que seja bem escrito – a leitura flui rapidamente (Não ajuda o fato do livro ser bem curtinho também, apesar da Aleph ter metido o louco com aquela edição-tijolona, Deus a abençoe, não, sério, olha como ficou a cover desse post, que arraso!).

À essa mistura de pontos positivos soma-se uma crítica ótima sobre a imbecilidade humana, já que muitos atos fúteis da turminha de símios é extremamente humana.

Tudo o mais está lá, eu acho. Você devia mesmo ler.

Sabe de uma coisa? Eu acho que eu vou dar 10 Gabos.
Caraca, eu não esperava que algum livro que não fosse Cem Anos de Solidão ou Os Irmãos Karamázov fosse receber 10 Gabos assim… Mas parece uma decisão tão acertada…

OU SEJA, VOCÊ TEM QUE LER!

10

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O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle
216 páginas - Aleph

Eu sei que eu atrasei muito essa resenha, mas eu to lendo Graça Infinita do David Foster Wallace e… bom.. eu acho que só isso já um grande motivo. Além disso, falhei miseravelmente ao tentar resenhar um livro do Salinger.