Citação

Fim – Rapidinhas #2

Rapidinhas2-Fim

 

“Leu Platão, O banquete, com o grupo de estudos, e descobriu-se andrógina. Algum deus maldito havia cortado ao meio seu corpo de origem, separando-a do homem dela. Queria encontrá-lo, reavê-lo. À noite, fantasiou ser costurada de volta, ponto por ponto, pele com pele, sentiu calafrios e dormiu excitada. Ruth só esqueceu de prestar atenção no alerta do sábio: “Só se ama aquilo que não se tem”.”

Aviso: Essa resenha é egoísta.

Já tinha dado uma lida no primeiro capítulo quando o livro foi lançado e achei-o mórbido demais e com personagens demais, fácil de se perder. Agora, anos mais tarde, engoli o livro em aproximadamente seis horas.

Os personagens são pontos tão negativos quanto positivos: Os velhinhos cariocas que outrora foram os grandes paladinos do desbunde brasileiro, cada um estereotipado à sua maneira, são ao mesmo tempo péssimos e ótimos. Mas foi o capítulo da personagem Ruth que me pegou de jeito, porque eu pessoalmente me vi nela, completamente. A história dela raspa no meu cliché favorito, o do “morrer de amor”, mas se mantém firme e até que original.

Fernanda Torres imprimiu em seus personagens personalidades separadas, algumas cujas opiniões são o total contrário do politicamente correto, sem que dominem o livro (sim, não me esqueci daquele texto nada feminista da Fernanda).

O humor é fraco, não ri nem um pouquinho, mas a escrita é leve, mais ou menos equilibrada (muito chavão) e gostosa, é uma leitura que passa rápido, mas tem que prestar atenção. Não há marasmo e nem desperdício de história (história, não palavras).

Os pontos positivos: A história se amarra de uma forma sensacional. Se você reler, verá que já no primeiro capítulo são mencionadas passagens só explicadas no último. A história deve ter sido editada diversas vezes, porque todos os capítulos se complementam.  Além disso, a comédia, as situações engraçadas, a ironia do viver, tudo isso é impresso lado a lado da melancolia. O final é melancólico, triste até. Mas dá pra pegar a ideia: Não somos imortais e é assim que as coisas tem que ser mesmo.

Confesso no entanto que essa resenha é totalmente parcial e egoísta. Eu vi aqui um livro que EU escreveria se eu tivesse tempo e habilidade suficientes. Por tudo isso, Fim atingiu uma nota ótima para um “livrinho”: 8 Gabos. Se eu fosse meio egoísta, teria sido um 7,5. E teria ganhado 8,5 se não fosse o epílogo desnecessário.

Mês que vem tem Haruki Murakami aqui :)

8

Saiba mais no Skoob
Fim - Fernanda Torres
201 páginas - Companhia das Letras

 

2666 – Rapidinhas #1

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“Também havia a possibilidade de que fossem amantes, pensou Bubis, pois é bem sabido que com frequência os amantes adotam os gestos do outro, geralmente os sorrisos, as opiniões, os pontos de vista, enfim, a parafernália superficial que todo ser humano é obrigado a carregar até a morte, como a Pedra de Sísifo…”

Para estrear a série Rapidinhas de resenhas rápidas,  eu (RafaelVic, prazer) escolhi esses belos  5 livros condensados em um baita calhamaço de 1100 páginas (aqui no Brasil umas 850) chamado 2666.

Pra resumir bem, é preciso ter estômago para aguentar a parte dos crimes (descritos com uma frieza  jornalística e assustadora), estômago aliás que eu não tive, tanto que parei a leitura por uns meses antes de tomar coragem de voltar à ela. A parte do machismo é muito bem trabalhada, (de forma que no começo você fica com a falsa impressão que o autor é machista) e muita coisa termina sem esclarecimentos ou conclusões, o que pode ser meio irritante (mas não muito se você já se acostumou a ler Murakami).

Os arroubos de genialidade do autor no entanto, compensam o sentimento pesado de horror com a parte dos crimes. Frases como essa que citei no início do post estão espalhadas por todo o livro. Toda o leitura já vale a pena pela cena dos críticos com o taxista. E a história do livro final me faz querer ser um pouco mais como Hans Reiter, que é um dos maiores personagens que já li.

E poucos livros nos fazem sentir isso.

Podemos ver que 2666 atingiu 9 Gabos no meu fiel Medidor de Gabos, que me ajuda a dar uma nota de 0 a 10 aos nossos queridos livros.

Nota 9

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2666 – Roberto Bolaño
866 páginas - Companhia das Letras

Galera, estou estreando essa coluna de resenhas rápidas, sem spoilers, sem frescuras e principalmente, sem o resumo do livro. É um prazer fazer parte da Castelo de Cartas e uma honra escrever junto com a Camis! Meu nome é Rafael Victor,sou designer, tenho 25 anos e sou um apaixonado por literatura, em especial a latino-americana, e grande fã dos livros de Gabriel García Márquez (O que explica o medidor para ajudar a dar uma nota). Espero manter essa coluna pelo menos quinzenalmente por um bom tempo. Tenho skoob.