Cama de Gato – Rapidinhas #36

Cama de Gato – Rapidinhas #36

Sorriu radiante para nós.
_Lixo… como tudo na vida. – E atirou a pintura de cima do terraço.

Um escritor pesquisa a vida e família de Felix Hoenikker, pai da bomba atômica, e criador do apocalíptico gelo-nove, uma substância capaz de congelar o planeta, eventualmente acabando numa ilha cuja peculiar religião resume o pensamento conformista humano.

Ahh, quando o Kurt quer ele faz direitinho, né não? Com um texto curto e fluído, ideais sutis e apaixonantes que somente um antropólogo que viveu a guerra consegue discorrer sobre e um humor filosoficamente perfeito, Kurt Vonnegut tece em Cama de Gato um retrato fiel e curioso dos humanos e da luta entre a religião e a ciência, sendo realmente imparcial, um mero espectador no desenrolar do teatro da vida. Com mais de cem capítulos e menos de 300 páginas, eis um livro praticamente perfeito para o que se propôs. Não há personagem que não represente algo, não há pontas soltas. As mensagens são claras, a trama é bem amarrada. Kurt só pensou naquelas coisas todas, organizou-as perfeitamente e pronto. Só não dou Nota 10 porque não é tão perfeito quanto Matadouro 5. Talvez seja simples demais. Enfim, é isso. Ah, palmas pra Aleph pela capa MARAVILHOSA da nova edição.

Nem todo mundo consegue mostrar a mediocridade humana e nos fazer rir dela de uma forma conformada e até mesmo cúmplice. Vonnegut consegue. Quando quer.

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Cama de Gato – Kurt Vonnegut
288 páginas – Aleph

Vineland – Rapidinhas #35

Vineland – Rapidinhas #35

Ela aspirou sua aura de tabaco, e teve de suportar aquela gargalhada jovial e velhaca de perdedor nato. Então ele tinha virado isso – alguém que, a julgar pela sua falta de surpresa ou qualquer piedade reflexa, ela, num nível próprio e mais modesto, devia ter virado também.

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O Xará – OGS #160

O Xará – OGS #160

Gógol e Nikhil foram meus companheiros de viagem em O Xará, da fantástica Jhumpa Lahiri, nessa sensação de se sentir estrangeiro no próprio país, de não fazer parte plenamente de nada, e ao mesmo tempo de construção de identidade.

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