Em Busca de Watership Down – Rapidinhas #41

Em Busca de Watership Down – Rapidinhas #41

“E o mundo será teu inimigo, Príncipe com Mil Inimigos, e sempre que te pegarem, vão te matar. Mas primeiro precisarão te pegar.”

Uma pequena turma de coelhos busca um novo lar depois que um deles prevê a violenta destruição de seu viveiro atual. Eles cruzam uma parte do Condado de Hampshire, tentando sobreviver aos seus predadores naturais e a crueldade dos humanos.

A narrativa de Watership Down é absolutamente apaixonante. Adams deixa transparecer na sua fábula não apenas todo o seu amor pelos coelhos, mas também o respeito que os animais merecem. A partir do comportamento real e instintivo dos lapinos o autor transforma a sua irracionalidade fazendo com que os coelhos tenham a sua própria cultura, religião, idioma e consciência artística. O êxodo dos coelhos se transforma numa aventura épica e emocionante, com um final satisfatório e tocante. Todos os personagens são, diferente da impressão que os primeiros capítulos nos dá, relevantes, donos de uma personalidade única e um papel a cumprir.

Por outro lado, o livro dá impressão de ser desnecessariamente grande. A medida que você vai chegando perto do fim, fica cada vez mais claro que alguma linguiça ali foi enchida para que o romance totalizasse 50 capítulos (um preciosismo desnecessário). Até sonhei com coelho de tanto que eu li.

NADA disso estraga a emocionante experiência que é acompanhar a jornada de Avelã, digna de merecidos 8 Gabos de nota. Por falar em merecido, parabéns Editora Planeta pela reimpressão espetacular (e bem necessária). Uma ilustração linda e uma tipografia maravilhosa na capa também.

Saiba mais no Skoob
Em Busca de Watership Down – Richard Adams
464 páginas – Editora Planeta

Ulysses – Rapidinhas #40

Ulysses – Rapidinhas #40

“Bloom a abraça com força e dá à luz oito filhos amarelos e brancos. Eles surgem em uma escadaria atapetada de vermelho e enfeitada com plantas caras. São todos bonitos, com valiosos rostos metálicos, bemproporcionados, vestidos respeitavelmente e com bonsmodos, falam cinco línguas modernas com fluência e se interessam por diversas artes e ciências. Cada um tem seu nome impresso em letras legíveis no peito da camisa: Nasadoro, Goldfinger, Chrysostomos, Maindorée, Silversmile, Silberselber, Vifargent, Panargyros. São imediatamente nomeados para cargos públicos de confiança em vários países como gerentes de bancos, tráfego em ferrovias, presidentes de companhias de risco limitado, vicepresidentes de redes de hotelaria.”

(mais…)

Cama de Gato – Rapidinhas #36

Cama de Gato – Rapidinhas #36

Sorriu radiante para nós.
_Lixo… como tudo na vida. – E atirou a pintura de cima do terraço.

Um escritor pesquisa a vida e família de Felix Hoenikker, pai da bomba atômica, e criador do apocalíptico gelo-nove, uma substância capaz de congelar o planeta, eventualmente acabando numa ilha cuja peculiar religião resume o pensamento conformista humano.

Ahh, quando o Kurt quer ele faz direitinho, né não? Com um texto curto e fluído, ideais sutis e apaixonantes que somente um antropólogo que viveu a guerra consegue discorrer sobre e um humor filosoficamente perfeito, Kurt Vonnegut tece em Cama de Gato um retrato fiel e curioso dos humanos e da luta entre a religião e a ciência, sendo realmente imparcial, um mero espectador no desenrolar do teatro da vida. Com mais de cem capítulos e menos de 300 páginas, eis um livro praticamente perfeito para o que se propôs. Não há personagem que não represente algo, não há pontas soltas. As mensagens são claras, a trama é bem amarrada. Kurt só pensou naquelas coisas todas, organizou-as perfeitamente e pronto. Só não dou Nota 10 porque não é tão perfeito quanto Matadouro 5. Talvez seja simples demais. Enfim, é isso. Ah, palmas pra Aleph pela capa MARAVILHOSA da nova edição.

Nem todo mundo consegue mostrar a mediocridade humana e nos fazer rir dela de uma forma conformada e até mesmo cúmplice. Vonnegut consegue. Quando quer.

Saiba mais no Skoob
Cama de Gato – Kurt Vonnegut
288 páginas – Aleph