Harry Potter – 20 Anos de Magia

Harry Potter – 20 Anos de Magia

20 anos de Harry Potter e fomos conferir no dia 25 o evento aqui em Taubaté! (Serviu para compensar a tristeza de minha carta para Hogwarts extraviada…)

Foto ao lado do cartaz do evento

Coisa linda pertinho da gente! haha

20 ANOS! Tudo bem que o tempo passa mesmo, mas tudo isso de Harry Potter me parece absurdo. Deve ser algum truque de uma fenda espaço-temporal, porque não pode ser possível que tudo isso de tempo passou.

Eu ainda lembro, pirralhíssima, de ver num WalMart em São José dos Campos um livro super xuxuzinho de título “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Curti a capa, estava baratinho, e tinha um guri numa vassoura. A sinopse? Me cativou na hora. Dei uma olhada para minha mãe, ela checou o livro e pronto. Começava ali uma jornada de “Camila, não vou mais comprar livros pra você, você lê tudo num dia só” e “Não acredito que vou fazer 12 anos e nenhuma carta secreta chegou até hoje”. Quando comecei a ler o Pedra Filosofal estava com 8 anos, láaa em 2000, então tive muito tempo para chorar pela falta de convite para estudar na famigerada Hogwarts (vamos fingir que hoje superei) e esperar ansiosamente o livro seguinte (e ler ferozmente, ficando com um vazio no peito logo depois HAHA).

Aqui os efeitos especiais são incríveis. Me contrata Warner. (Foto: Lelienne Ferreira)

Harry Potter foi (e ainda é) uma parte muito especial da minha vida, acompanhei a vida das personagens como meus amigos próximos, que me fizeram companhia, me fizeram chorar (ainda tenho uma fé, mesmo que digam o contrário, que do outro lado do véu do Sirius existe uma dimensão paralela e que ele pode voltar um dia aí), me fizeram rir e me fizeram xingar muito a Rowling no sétimo livro, depois que ela começa a carnificina Game-of-Thronesística a partir do Cálice de Fogo.

Não consegui ir em vários eventos de Harry Potter que rolaram desde que me entendo por gente pottermaníaca, seja por conta de dinheiro, seja por conta da vida mesmo, seja por conta de localização. Lançamentos dos filmes e livros até compareci, mas não é a mesma coisa. Quando vi que ia ter esse dos 20 anos de Pedra Filosofal, meio que fui obrigada a ir por força (de vontade) maior. HAHA

Ele foi o segundo evento BrainFitness organizado pelos Almanaque Urupês, Taubaté Shopping e Livraria Leitura, e o primeiro em que conseguimos ir. A ideia é ter um evento literário por mês promovendo encontros com grandes nomes da literatura! 😀


Olha a gente sentadinho ouvindo a Mônica. 🙂

Primeiro: Estava lotado. Quando eu digo lotado, digo loucamente lotado. Tinha ido pra conferir a fala da Mônica Figueiredo, editora da Rocco, e a sorte é que consegui um lugarzinho pra sentar no “Salão Comunal” com as bandeiras da Escola de Magia e Bruxaria do Brasil (EMB).

A fala da Mônica foi ótima, acabei pegando um pouquinho após o começo, mas perguntaram sobre Cursed Child (que inclusive já apareceu aqui no Castelo pelas mãos do Rafael), sobre as cenas que mais a chocaram (Sirius e Dumbledore </3), e foi tanta coisa que é mais fácil ir ponto a ponto…

A gente ouvindo conselhos relâmpagos pra vida da Mônica! <3

O livro que ela mais achou bem estruturado, em relação ao mundo, e ter esse toque Rowling é o roteiro do Animais Fantásticos (aliás, a fala dela me deixou bem tentada a dar o famigerado bizu), por ele já ter um enfoque amadurecido na questão da lore, do mundo, as personagens são bem estruturadas, mesmo sendo em um formato narrativo fora da prosa. Como aqui a gente lê teatro pacas, deu duas vezes mais vontade. HAHA

Uma pergunta que curti bastante foi sobre o que deu a dica de que Harry Potter valia a pena de ser trazido ao Brasil. A Mônica respondeu que algo que cativou foi a questão da bruxaria, do ensinar bruxaria, e que mesmo tendo assuntos que não são da realidade brasileira (como colégios internos), tem temas universais como orfandade, bullying, família, que podem ser discutidos por um longo tempo. Trazendo uma permanência e relevância pra obra e a traziam pra perto da nossa realidade. E, inclusive, que vão amadurecendo conforme as próprias personagens amadurecem, quando se vai, por exemplo, pro enfoque da depressão com os dementadores sem ser moralista e sem ser explícito (como um conto de fadas faria).

Ela contou um pouco sobre como foi o processo de tradução e adaptação dos livros, os termos, a aprovação da editora inglesa, a pressão de se traduzir algo que se tornaria a tradução oficial (olha os arrepios descendo a espinha), como é difícil manter esse afastamento de cenas que você gosta mais das que gosta menos (até porque precisa-se manter a qualidade em todo o processo); e como, quando não tem como ser fiel, se tenta ir pela tradução que choque menos, que tenha um impacto coerente com o original, adaptado à realidade do idioma e cultura.

Foi um papo maravilhoso de acompanhar, e o mais legal foi que quando consegui tirar uma foto correndo (que não deu muito certo, mas o que sempre vale é a intenção e a memória), deu pra conversar um pouco sobre trabalhar em uma editora e até recebi alguns conselhos de alguém que taí na labuta há mais tempo do que eu tenho de vida! HAHA (Aliás, obrigada, Mônica! <3 )

Mesmo irritada, ninguém resiste a uma selfie com Jovem Link.


Além disso, estava presente uma oficina maravilhosa de Transplante de Mandrágora, com a professora de Herbologia mais xuxu de todas (da EMB também!).

Transplantes de mandrágoras são complicados, sempre devemos lembrar de usar os EPIs (Jovem Link está sendo minhas luvas, sim.).

Foi rápido, porém uma viagem relâmpago por uma Camila de 9 anos imaginando a mandrágora gritando por estar fora de sua caminha terrestre. HAHA Inclusive acabei tirando várias fotos.

Havia lojas dentro do Complexo de Compras dos Boticários, mas acabei não entrando por conta de uma fila… enorme.

Olha esse complexo de compras!

Mas conseguimos fotos do lado de fora. Foi bom pra controlar um possível consumismo (fiquei desejando a mandrágora Zezé de pelúcia, alô, alô, aceitando para ser uma companheira do Jovem Link!).

Além disso, foram vários pottertubers conversar com o pessoal, dar autógrafos e receber vários abraços. 🙂

 

 

Moody: um olho na câmera outro no Jovem Link. (Foto: Lelienne Ferreira)

Um bônus vai pros cosplayers que estavam por lá, com o Moody até consegui uma foto, mas acabei perdendo uma Luna lindeza que estava dando umas bandolas por lá com seu Pasquim de ponta cabeça…

Pra encerrar essa cobertura potterística, fica o agradecimento aos organizadores que, mesmo na maior zona (5 mil pessoas não é brincadeira), tentaram o melhor pra organizar o rolê. E conseguiram promover um encontro bem mágico. 🙂

Estaremos no próximo BrainFitness!

E vai que vai #HarryPotter20 ! <3

 

 

Bônus 2:

A gente finge que sabe o que está fazendo no Quadribol.

Mas na real é tudo mentira. A gente tem uma mira péssima mesmo. Att. HAHA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Boa cerveja amanteigada para segurar a semana para vocês!

(Fonte da imagem da capa: ilustra por Jim Kay para Bloomsbury Pub.)

Quem é Lima Barreto pra nós?

Quem é Lima Barreto pra nós?

Lima Barreto é um poço maravilhoso de ambiguidade, atualidade e invisibilidade. Tudo num mix extremamente brasileiro e riquíssimo.

 

Bem, com a proximidade da famigerada FLIP, que tem como homenageado Lima Barreto esse ano, eu comecei a estudar um pouco da obra dele num curso que faço de dramaturgia. A única coisa que tinha lido dele tinha sido Triste Fim de Policarpo Quaresma por motivos escolares. Não estudamos o contexto de vida dele, nem o drama, só a história mesmo, porque, né… tem que acertar umas perguntas sobre o enredo no vestibular. E já está de bom tamanho.

Aí, nesse curso, achamos que seria interessante tentar conhecer mais sobre a relação que Lima tinha com o teatro (isso se tinha de qualquer forma) e começamos a ler o conto mais conhecido: O homem que sabia javanês. Pegamos depois a coletânea de contos, as coletâneas de crônicas (porque como esse homem escreveu! :O e estou bem ansiosa pra dar uma lida na biografia que vai sair pela Cia das Letras, OI, CIA DAS LETRAS! TE PASSO MEU ENDEREÇO SE QUISEREM!). Logo de cara quando você lê as coletâneas vê algumas contradições.

Na primeira, dizem que ele escrevia errado; aí, em outra análise dizem que na verdade o problema era do processo de edição, editores não revisavam e cometiam erros estrondosos; ou que a letra de Lima era uma tragédia e isso ocasionava em erros também…

Uma pessoa que tinha uma biblioteca enorme, sabia vários idiomas, deixou catalogado tudo que não conseguiu publicar, guardou várias de suas publicações e ainda mapeou os erros e onde haviam impresso de forma errônea… não me parece escrever tão errado assim.

É interessante como Lima Barreto é um retrato de uma época de transição, como a que estamos vivendo agora. O golpe da República havia estourado, ele descobria que o ser negro no Brasil não ia mudar muito com essa mudança de governo, que ser bom não implicava em justiça… e ao mesmo tempo ele era a pessoa mais ambígua que já vi.

Ele claramente não era da elite. Inclusive a criticava ferozmente em toda oportunidade que podia. Aliás, criticar era o que mais fazia, criticava a política, o teatro, a sociedade, a literatura, o país, machismo, racismo… e a lista vai. Como cronista a maior parte de seus assuntos eram críticas a algo ou alguém. E, ao mesmo tempo, tentou 2 vezes entrar para a Academia Brasileira de Letras (sendo negado em todas elas, e ia tentar a terceira, antes de desistir), aí saía decepcionado, criticava horrores, o tempo passava e lá ia ele de novo.

Então ao mesmo tempo em que odiava a elite, queria fazer parte dela. Mesmo fazendo sucesso e sendo reconhecido por quem estava na cena ‘underground’ da literatura e afins, não se sentia (ou não queria) fazer parte daquilo (inclusive, no mesmo ano em que morreu, 1922, recebeu uma carta dizendo que estava sendo homenageado na Semana de Arte Moderna (aquela mesmo), achou meio ~tosco, porém agradeceu e tudo o mais, mesmo tendo achado que a revista (a Klaxon) que recebeu era inicialmente de automóveis. HAHA).

Ele teve uma vida escrota. Não sei se existem palavras melhores pra isso. Herdou a loucura do pai, tinha problemas com álcool, direto ia ficar internado no sanatório, pois ficava alucinando pelas ruas (inclusive escreveu Cemitério dos Vivos em uma dessas internações e, minha nossa, que título coerente), pegou essa desilusão de que teria espaço sendo bom, mas infelizmente nascera com a cor errada, e isso é imperdoável na sociedade da época (ainda hoje…). Ele fez um retrato maravilhoso da sociedade, tinha uma visão de futuro incrível e uma tristeza plena de quem vê além.

Lima era fantástico. Era tudo que sua invisibilidade atual não diz. A escrita dele é atual, é diferente de tudo. Escrevia maravilhosamente, era afiadíssimo nas suas análises da sociedade (que quanto mais eu leio, mais vejo semelhanças do período atual), lia horrores. Por mais que muitas revoltas dele sejam extremas demais ou vinculadas à revolta dele com tudo e todos por não ser aceito em nenhum lugar que queria (por exemplo, em várias crônicas onde ele execra Artur Azevedo e João do Rio, que me abismaram). Ele é muito mais que o Policarpo que li no ensino médio. Muito mais que o homem que sabia javanês. E a parte boa de estar sendo homenageado na FLIP é que um pouco dessa invisibilidade que passou na vida toda vai ter a chance de ser um pouco iluminada (até porque eu ainda não sei quem é Lima Barreto…).

E, como magnífica pessoa ambígua e complexa que é, ainda pretendo visitá-lo no xiquetérrimo cemitério em Botafogo, já que, pelo menos morto, conseguiu ser aceito onde queria.

 

Como aqueles plus lindezas de dicas de leitura, tem 2 volumes FANTÁSTICOS de crônicas de Lima publicados pela Editora Agir (que vai da esperança de um Lima novinho, até a desilusão dele adulto) e a coletânea de contos (também fantástica!) pela Cia das Letras. E também tem uma adaptação belezura d’O Homem que sabia javanês:

 

Fonte da foto usada na capa: Grupo Companhia das Letras.

Meta de Leitura 2017!

ano novo

E chegamos ao último dia útil do ANO! (Aleluia, irmãaaaosssss!) Criamos um conjunto de itens pra uma meta de leitura (razoável, HEHE) pra 2017!

Bem, como eu sei que muita coisa pode mudar nesse ano que vai entrar, pensei em colocar tudo em porcentagens mesmo, que aí, no final do ano faço um esquema bonitão pra verificar se cumpri tudo (sejamos realistas esperançosos, como dizia Suassuna…). Essa imagem aí em cima tem essa famigerada lista, livre pra quem quiser usar (achei ela bem democrática até, dá pra adaptar pro que der e sem muita pretensão… hehe)

  • Não vamos estabelecer uma meta, vamos atingir e dobrar a meta. > Ler pelo menos 80% da meta estabelecida.

Esse ano que passou me deixou com apenas 49 livros lidos da meta de leitura… (fora da meta creio que atingi o número 60…), então vamos colocar a meta de leitura de 70 livros no ano de 2017, pra gente poder superar essa meta e pensar “OHHHH, que maravilha!”

  • Mais de 20% da meta de livros com protagonista feminina.

Nem preciso dizer.

  • Mais de 20% da meta de livros nacionais.

Nem preciso dizer.²

  • Ler um autor desconhecido (entre numa livraria e arrisque!)

VAMBORA.

  • Comprar menos livros (todos sabemos que sua lista de leitura já está enorme, convenhamos…)

Sim. Terei de transformar meus livros em móveis em casa pra caber.

  • Parar de adicionar 500 livros na meta do skoob a cada mês (senão, essa tal meta nunca chegará aos 100% e você também sabe disso…)

Desculpa, mãe.

  • Ler um livro de um gênero que você não gosta (vai que você se surpreende…)

Aiai.

  • Presentear alguém com um livro que gostou (conhecimento se passa pra frente!)

E aproveitar e praticar o desapego, né… hehe

 

Aproveitando pra dizer que semana que vem sai a retrospectiva das melhores resenhas (e da maior decepção de 2016…) e desejar aquele MAROTO FELIZ ANO NOVO procêis! Se tudo der certo, vem muita novidade em 2017… hehe

2016 foi um ano mais lento e de muitas mudanças na vida, aqui no blog tentamos fazer aquele checklist (não continuou, claramente) e recebemos a lindona ajuda do Rafael com seus posts de resenhas Rapidinhas <3, teve o lançamento do Castelo de Cartas – Rei, teve muito livro que surpreendeu, muita decepção, foi um ano de muita coisa, em suma.

Então obrigada pela companhia e até 2017!

(no insta ainda vai ter postagem de fim de ano, fiquem espertos por lá ^^)

 

BÔNUS DE META DE LEITURA! (dica do RafaelVic)

Ler no mínimo UM livro dessa lista dos 100 melhores: LISTA AQUI