A loira do vasinho – Contos

A loira do vasinho – Contos

Tudo começou com um vasinho de hortelã, mas aí quase se transformou num episódio de supernatural. Nesse novo conto inspirado pela história da Jéssica Groke, conheça a mais nova loira das lendas urbanas.

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FIQ BH 2018

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E sobrevivemos ao nosso primeiro FIQ BH! O Festival Internacional de Quadrinhos foi simplesmente espetacular e aqui vamos ressaltar algumas coisas que tornaram ele especial demais (lançamento do Desenredos incluso haha)

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A Praça do Diamante – OGS #166

A Praça do Diamante – OGS #166

(Fonte da imagem de fundo, blog da TAG Livros)

Mercè Rodoreda agora mora eternamente em meu coração depois dessa aula de literatura que foi A Praça do Diamante, um beijo pra querida Colometa

Sinopse: Num monólogo de profunda densidade psicológica, Rodoreda contrapõe o sofrimento pessoal da protagonista à dor coletiva de uma Espanha exausta e faminta. A suposta ingenuidade de Colometa, sempre à mercê dos acontecimentos e das pessoas ao seu redor, aparece nas entrelinhas através de uma linguagem elíptica, utilizada às vezes em um sentido ambíguo, com uma discreta ironia, com crueldade e agressividade ou com grande lirismo. (Sinopse do Skoob)

Por onde começar essa maravilhosidade que é Mercè Rodoreda escrevendo?

Talvez comece pelos parágrafos cheios do fluxo de pensamento da Colometa, muitas vezes com poucos pontos finais e que são legíveis facilmente e tem um ritmo incrível. Talvez pelas personagens que a gente vê maldade e a Colometa só segue. Pelas frases que passam pela mente dela que deixam a gente sem chão ou então talvez pelos pombos.

“O pé ia de um lado para o outro desenhando a linha e de repente percebi que eu estava em cima da sombra da cabeça da Rita; melhor, a sombra da cabeça da Rita subia um pouco em cima dos meus pés, mas mesmo assim o que me pareceu foi que a sombra da Rita, no chão, era uma alavanca, e que a qualquer momento eu poderia ir pelos ares, porque pesavam mais o sol e a Rita do que a sombra e eu dentro. E senti de uma maneira intensa a passagem do tempo.”
A Praça do Diamante, Mercè Rodoreda, p. 220

Acho que nunca li nada como o que a autora escreveu. Logo o prefácio desse livro foi escrito por ninguém menos que o Gabo (oi, Rafa haha), então a gente realmente se pergunta quantos escritores incríveis não acabam sendo apagados por um motivo ou outro. E onde eu estava que não tinha lido nada dessa mulher de vida e trabalhos incríveis.
Foi incrível ficar gritando na minha cabeça que tudo que o Quimet fazia era cilada (o marido de Colometa), que ele era um cara extremamente abusivo, que algumas situações eram frustrantes e mesmo assim Colometa seguia em frente, com sua inocência, se deixando danificar cada vez mais até não aguentar e despirocar tanto quanto os pombos que ela era obrigada a aturar.

“Estava cansada; eu me matava trabalhando e tudo andava para trás. O Quimet não via que o que eu precisava era de um pouco de ajuda em vez de passar minha vida só ajudando, e ninguém reparava em mim, e todo mundo me pedia mais, como se eu não fosse uma pessoa.”
A Praça do Diamante, Mercè Rodoreda, p. 125

Ela consegue trazer tanta sinceridade em cada uma das falas de Colometa que nem sei descrever. Eu precisaria citar o livro todo. A acidez com que a autora escreve tudo é fantástica, tudo é cercado de tapas na cara tão de pelica que chega a arrepiar. É um livro incrível que muitas vezes deixa um gosto estranho quando você lê. E as sacada em trechos são tão geniais, algumas metáforas, o modo de ver da Colometa em cada momento, em cada faceta, como ela entendia as coisas, como ela somava um mais um, é uma visão de mundo que você consegue se frustrar, mas nunca achar que ela não faz sentido, nem que é infundado. Colometa é Colometa em cada uma das páginas.

“Vivia como deem viver os gatos: para cima e para baixo com o rabo abaixado, com o rabo levantado, agora é hora de comer, agora é hora de dormir, com a diferença de que um gato não precisa trabalhar para viver. Em casa a gente vivia sem palavras, e as coisas que trazia dentro de mim me davam medo, porque não sabia se eram minhas.”
A Praça do Diamante, Mercè Rodoreda, p. 28

A gente acompanha a personagem como se acompanhasse alguém te contando, e fica com vontade de ajudar, de facilitar, de bater um papo, aconselhar (mesmo que não consigamos resolver nada), de fazer simplesmente qualquer coisa por aquela mulher que em sua inocência tanto tentava, e muitas vezes não era compreendida ou não compreendia.

“E o frio dentro do coração era um frio que não passava nunca. Não sei como a gente sobreviveu àqueles dias. Durante o tempo em que uns saíram e outros entraram, fiquei trancada no apartamento.”
A Praça do Diamante, Mercè Rodoreda, p. 167

Eu não tenho nem muito mais o que falar, a não ser que esse livro me foi uma experiência tão fantástica e uma aula de escrever que nem sei por onde terminar a não ser agradecendo a existência dessa maravilhosidade (e ficando com uma vontade absurda de aprender catalão pra ler esse livro no original haha).
Apenas leiam.

A Praça do Diamante
Autora: Mercè Rodoreda (tradução de Luis Reyes Gil)
Editora: Editora Planeta e TAG Livros
Páginas: 255
Link no Skoob

 

 

ALIÁS! CONCLUÍMOS COM SUCESSO O CATARSE! Chegamos em absurdos 122% da meta e só tenho a agradecer de coração por tudo. Esse feriadão estaremos no FIQ BH, e esperamos vocês por lá pra bater aquele papo, conhecer Desenredos ao vivo e visitar essa lindona capital mineira.

A Louca da Casa – OGS #165

A Louca da Casa – OGS #165

A Louca da Casa da Rosa Montero é uma louca que vive em todos nós, é uma imaginação que te leva a escrever, criar, descriar, sei lá, só sei que foi o livro certo na hora certa.

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