Here Comes The Sun – OGS #153

Here Comes The Sun – OGS #153

Here Comes the Sun conseguiu me apresentar os Beatles, George Harrison e uma busca divina, tudo em pouco mais de 400 páginas apaixonantes.

Sinopse: Uma história como nenhuma outra: em meio à fama avassaladora dos Beatles, a busca por Deus. Nesta biografia íntima, o historiador Joshua M. Greene fornece um relato comovente de uma das pessoas mais extraordinárias do século XX. Em “Here Comes the Sun”, a jornada espiritual e musical de George Harrison é revelada em detalhes, sem o imediatismo de outras publicações sobre ele ou os Beatles. Como seus companheiros de banda, Harrison escapou das ruas proletárias de Liverpool, sobreviveu a uma dura aprendizagem em boates underground e se tornou um dos mais famosos e bem-sucedidos artistas da história. Porém, a desilusão com o preço e com as recompensas da fama resultaram na magnífica jornada que transformaria sua música e redefiniria o resto de sua vida.

À caráter lendo Here Comes the Sun (Gracias especiais, Kripa, pela roupa xuxu!).

Nunca fui uma fã inveterada de Beatles, nem ouvi muito, nem li muito. Então comecei a ler essa biografia como alguém verdíssima no mundo beatlemaníaco. haha

“Essa é a história de um homem que renunciou a uma das mais espetaculares carreiras da história do entretenimento pela meta de ver Deus face a face e que obteve um êxito maior do que as suas mais altas expectativas. A trilha sonora de sua jornada espiritual começa com as explosões de uma batalha e se encerra 58 anos depois, com as harmonias da paz eterna.”
Here Comes The Sun, Joshua M. Greene, p. 12-13

Greene escreve de forma sucinta, clara e bem objetiva. Tanto que menciona logo no início do livro que assim o fez por conta do próprio Harrison ter sido assim em vida (a parte boa de ler uma biografia é que não é exatamente um spoiler saber se a pessoa está viva ou não ou os elementos da vida dela haha), eu particularmente gostei dele querer refletir a própria personalidade do biografado no estilo do livro.

Não sabendo nada sobre os Beatles, devo dizer que fiquei diretamente influenciada pelos relatos e acontecimentos descritos no livro (ou seja, não entendo como as pessoas são capazes de gostar do John Lennon [olha a opinião impopular passando na sua frente], e tenho certeza de que Ringo é como um NPC de um jogo de videogame), e surpresa de como a vida dos 4 Beatles é simplesmente um filme. Tem ação, reviravoltas que seriam extramente clichês (sucesso rápido e instantâneo, fama que vai e volta do nada; fãs desmaiando enlouquecidas), em 2/3 anos eles já eram OS Beatles. Não faz sentido. Mas simplesmente é.

“A química entre os integrantes da banda era excitante, engraçada, contagiante, e os shows em outros lugares aumentavam. Ainda assim, apesar da crescente popularidade dos Beatles, nenhum empresário aparecia, a imprensa não cobria suas performances e nada indicava que eles iriam além dos limites daquele pequeno porão.”
Here Comes the Sun, Joshua M. Greene, p. 50

Não sei se é possível entender a beatlemania como fenômeno que foi, como essa exceção maluca que até hoje ainda causa fervor ressurgindo do limbo de vez em quando (se bem que nunca foi verdadeiramente para o limbo… diria que é como lava saindo do vulcão, ela solidifica quando esfria, mas é só dar um toquinho que tchanã, quentíssima por dentro). Mas deu pra dar uma luz descrevendo como era o mundo dessa época, e o que os Beatles estavam significando em tudo aquilo.

“Os adultos não conseguiam oferecer uma explicação sobre o porquê do mundo estar tão turbulento e confuso, deixando os jovens com a tarefa de definirem para si mesmos quem eles eram e em que acreditavam.”
Here Comes the Sun, Joshua M. Greene, p. 73

O livro prova que você não precisa de firula pra gostar de alguém, antes mesmo de chegar ao final do livro, você já se sente como alguém que viveu tudo aquilo com Harrison, que entende os tropeços, as babaquices, o crescimento,  bom humor, a generosidade e a bondade inerente. E também as frustrações e prisão que era a vida de um Beatle.

“Até então, George sentia poucos inconvenientes no sucesso, mas um em particular estava começando a preocupá-lo. “O que me perturba”, disse no mês junho à revista juvenil Rave, “é que às vezes as pessoas nos tratam como se fôssemos objetos e não seres humanos”.”
Here Comes the Sun, Joshua M. Greene, p. 76

O encontro e a posterior busca de George por Deus é simplesmente apaixonante. É como achar a função da sua vida e poder seguir em direção à ela (isso não significa que dúvidas sobre o caminho não tenham existido, mas Krishna realmente foi colocando as pessoas certas no caminho dele…). O sentimento de ter de contagiar as pessoas com esse mesmo fervor também pôde ser sentido em todas as músicas, shows, atitudes posteriores a esse encontro.

“George certa vez descreveu a si mesmo como alguém que chegara ao cume do mundo material, encontrando todas as pessoas que valiam a pena conhecer e fazendo tudo o que valia a pena ser feito, apenas para descobrir que havia muito mais do outro lado.”
Here Comes the Sun, Joshua M. Greene, p. 88

Mais fotogênico que Jovem Link jamais.

Aliás, taí uma questão maravilhosa: ler o livro ouvindo as músicas citadas foi ótimo. Como ele perpassa a produção musical dele (que, aliás, não é possível separar da pessoa, afinal foi a forma de tentar alcançar Deus), a opinião de terceiros, as músicas no topo das paradas, tudo, é possível achar online, então foi uma belezura. Deu pra ouvir tanto um tico de Beatles quando bastante da produção solo dele (Govinda ainda dá arrepios, e My Sweet Lord é realmente uma lindeza). E lógico, que ver mais sobre Ravi Shankar, mesmo que de pouquinhos, foi lindo (o álbum Passages do Ravi ainda é meu preferido).

Conhecer George pelas músicas dele é conhecer algo intrínseco a ele.

Agora, em relação à tradução, eu senti que por vezes ela acabou sendo muito literal, algumas coisas só fazendo sentido porque eu conhecia algumas expressões em inglês. E por vezes senti que a progressão da cronologia dava umas escapadas, Greene começa um parágrafo falando, por exemplo, de 1977, e de repente pula pra 1992, ou 86… e você fica sem saber se aquela informação é pertencente a alguma dessas datas ou nenhuma delas. Isso começa acontecer depois da metade do livro, te deixando meio confuso.

Mesmo com as falhas que senti, o livro não sai prejudicado. Sendo um retrato apaixonante da busca de um homem por Deus.

“Talvez fosse uma continuação de algo da história”, disse. Nós nos despedimos. Conectar-se com outro ser humano que apreciava o mistério das coisas era um presente, e concordamos em manter contato. “Ou talvez”, ele falou enquanto meu filho e eu parávamos em frente à porta, “aquilo que George começou talvez seja simplesmente bondade sem causa”.
Isso soava correto.
Here Comes the Sun, Joshua M. Greene, p. 396

Here Comes the Sun
Autor: Joshua M. Greene
Editora: Coletivo Editorial
Páginas: 414
Link do Skoob

 

PS.: Uma coisa que achei excelente foi ver que enquanto tudo isso estava acontecendo, Radanath Swami também estava tentando chegar na Índia! Para quem não sabe do que estou falando, é uma boa dar aquela relembrada na resenha de A Caminho de Casa, pra conhecer outro lado da Índia, um lado vivido pelo (até então) anônimo Swami. Dá pra ter noção de duas facetas históricas da década de 60/70.

Ps.²: Tiramos as fotos para essa resenha lá em Nova Gokula! Uma fazenda hare que recomendo visitar quem puder. 🙂 Direto tem festivais belezuras por lá. E claro que você sempre confere nossas fotos de resenha lá no nosso Instagram e os trechos selecionados do livro no Tumblr.

 

O Livro Amarelo do Terminal – OGS #152

O Livro Amarelo do Terminal – OGS #152

Sinopse: A escritora Vanessa Barbara faz sua estréia editorial com um livro-reportagem sobre a rodoviária do Tietê, em São Paulo. Primeira obra jornalística no catálogo da Cosac Naify, O livro amarelo do Terminal empreende uma viagem singular ao que seria uma versão condensada do mundo , como diz João Moreira Salles na orelha da edição. Valendo-se de recursos narrativos variados, que vão da reportagem clássica ao humor nonsense, o olhar da escritora pinça, em meio ao tumulto, os tipos que passam por lá todos os dias – vendedores, crianças, velhinhas, surfistas -, e registra uma história oral do local a partir dos fragmentos de conversas colhidas ao acaso. Esta polifonia aparece também no projeto gráfico do livro. Suas páginas amarelas, de gramatura mais fina, brincam com a transparência e a sobreposição parcial das letras. Já os capítulos de cunho mais histórico são impressos em papel semelhante ao carbono, como os dos bilhetes de ônibus. (Sinopse do Skoob)

E nesse limbo de leitura em que entrei devido à correria dos últimos dias, consegui sentar pra ler um livro que estava na lista há tempos: O livro amarelo do terminal. Me recomendaram quando estava no meio do mestrado, “é uma super aula de como descrever o campo, Camila!”. Mas os tempos passaram e não consegui ler haha

“A rodoviária do Tietê é uma cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas.”

O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 14.

Essas jogadas com a transparência do papel, meu bom chessus. <3

O livro vai fazer esse processo de mapear e descobrir a rodoviária em todos seus aspectos, do ponto de vista das pessoas que trabalham nela. Pessoal da limpeza, da segurança, carregadores, os passageiros, motoristas, galera das lojas, pessoal que não vemos quando passamos por lá… E é impressionante a sutileza e as escolhas dos termos que a autora faz pra comparar as situações e histórias que ouve.

“- 49 – diz um senhor, de repente, aproximando-se de Cíntia.
Ela nem pensa. Olha para ele e apenas retruca, como se fosse a coisa mais natural do mundo:
– Primeiro corredor à esquerda, no final.
– Ah, obrigado.
É sempre bom saber como reagir quando alguém chega de súbito e diz: “49”. Anote aí a resposta: primeiro corredor à esquerda. Pode acontecer a qualquer momento. E em qualquer lugar.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 35

Aliás, quando a gente realmente para pra ouvir as histórias das pessoas descobre que não conhece ninguém nem nada sobre a vida. A variedade de opiniões, de histórias de vida, de sinapses estranhas que o cérebro parece fazer tiram o aspecto de massa e de grupo. Cada um tem uma vida, uma família, um histórico e opiniões.

“Rosângela conversa com as pessoas sem rosto da rodoviária. Olha nos olhos de cada uma e ouve, com atenção, o que têm a dizer. Lembra-se de muitas delas, sabe quais são seus nomes e suas histórias. Dá um exemplo de relações públicas até para os altos funcionários da Socicam.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 46

E começa a odisseia por todos os telefones em que empurraram a pesquisadora…

O livro vai sendo separado por capítulos que dividem a história de cada um e os pedaços da rodoviária, tem um capítulo inteiro, por exemplo, que é a autora tentando falar com quem tem acesso aos contratos de licitação (o melhor é que ela já abre com a lei que diz que os documentos públicos devem ser… bem, públicos), e é passada de número em número, de ramal em ramal, até finalmente falarem “mas, moça, é público, mas é privado”. HAHAHA (rindo, porém, que drama, senhores e senhoras).

“Quando, no telefone principal, a chamada vem do balcão de informações, é provável que se trate de um PA – “Eu não sei a tradução, mas quer dizer que tem gente querendo anunciar um nome”. Ou então um AAU: “Que a tradução eu também não sei, mas é quando tem que chamar um FT para ajudar usuário”. Sim, a comunicação é feita em siglas obscuras, de sentido vago, mas que todos sabem “mais ou menos” o que querem dizer.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 85

Fiquei simplesmente apaixonada pela dose de sarcasmo e ironia extremamente sutis que ela usa. Seja quando a relações públicas do metrô lhe diz que não pode entrevistar as pessoas (porque vai que elas falam alguma coisa errada) e ela apenas escreve que já está lá há mais de 6 meses entrevistando e bem… não lhe importa. HAHA É simplesmente maravilhoso. E ainda por cima transcreve as conversas que teve com ela:

“- Escuta, mas proibir os funcionários de falar não é errado? E a liberdade de expressão?
Ela dá risada. Ah, essas crianças. Nunca entendem.
– Não, não é isso. A gente apenas instrui o funcionário, só porque ele pode dizer algo errado, aí prejudica a empresa. Não sei em termos de jornalismo – não entendo nada de jornalismo, eu faço Relações Públicas -, mas eu estou aqui na Socicam preocupada só com uma coisa…
– … a segurança dos usuários, eu sei, mas…
– Não, não! Quer dizer, a segurança também, mas estou preocupada com a imagem. Então tenho que prestar atenção no que as pessoas falam para a imprensa, no que vai dar no jornal. Não pode pegar mal.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 127

Aí a delicadeza do sarcasmo, se fosse entrevistar exatamente apenas e como permitem, eram mais fácil ter usado esse gerador automático de reportagens.

Você se apega a todos os funcionários do metrô, às histórias de vida dos passageiros, mesmo que rápidas, te fazem querer começar a procurar freiras com pranchas de surfe pra bater um papo, ou ir perguntar pela Rosângela, pelo Hugo da Le Postiche, pelo carregador número 101, mas que provavelmente não estarão lá hoje. Estarão vivendo suas vidas em outros locais e com mais histórias para contar.

Essa leitura foi realmente uma lição lindona de como fazer uma pesquisa de campo, deu a mesma sensação de quando fiz a do mestrado, e fui conhecendo as camadas de cada um, as complexidades, as histórias estranhas de alguém que seria só mais uma pessoa se você não tivesse parado e conversado com ela. Uma desmassificação das pessoas e dos lugares.

Os elementos que ela nota, a possibilidade de desconstrução dentro do projeto gráfico do livro (eu poderia ficar horas só elogiando isso, aliás. Tipografia, papel, as propagandas, os relatos das origens, aiai…), tudo adicionou em um livro com tanta personalidade que nem sei. Dá vontade de reescrever tudo, de imergir no campo que estudei com esse exemplo lindeza demais na mente.

Vou só terminar com um dos diálogos mais xuxus antes que escreva uma bíblia sobre esse livro que merecidamente ganhou um Jabuti:

“E foram andando, um velhinho de cada lado. Ele, contente à beça; a mulher, meio emburrada. Mas a birra não durou muito: logo estavam se desdobrando de rir quando, a certa altura, Rosângela perguntou se o casal tinha filhos.
– Não, moça – disse Cláudio. – Sabe o que é? É que a gente já casou com a validade vencida…”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 105

Ps.: Tem váaarios trechos maravilhosos selecionados aqui no Tumblr 🙂 E também uma aventurosa divulgação da resenha no nosso Insta  😉

O Livro Amarelo do Terminal
Autora: Vanessa Bárbara
Editora: Cosac Naify
Páginas: 254
Link do Skoob

 

Harry Potter – 20 Anos de Magia

Harry Potter – 20 Anos de Magia

20 anos de Harry Potter e fomos conferir no dia 25 o evento aqui em Taubaté! (Serviu para compensar a tristeza de minha carta para Hogwarts extraviada…)

Foto ao lado do cartaz do evento

Coisa linda pertinho da gente! haha

20 ANOS! Tudo bem que o tempo passa mesmo, mas tudo isso de Harry Potter me parece absurdo. Deve ser algum truque de uma fenda espaço-temporal, porque não pode ser possível que tudo isso de tempo passou.

Eu ainda lembro, pirralhíssima, de ver num WalMart em São José dos Campos um livro super xuxuzinho de título “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Curti a capa, estava baratinho, e tinha um guri numa vassoura. A sinopse? Me cativou na hora. Dei uma olhada para minha mãe, ela checou o livro e pronto. Começava ali uma jornada de “Camila, não vou mais comprar livros pra você, você lê tudo num dia só” e “Não acredito que vou fazer 12 anos e nenhuma carta secreta chegou até hoje”. Quando comecei a ler o Pedra Filosofal estava com 8 anos, láaa em 2000, então tive muito tempo para chorar pela falta de convite para estudar na famigerada Hogwarts (vamos fingir que hoje superei) e esperar ansiosamente o livro seguinte (e ler ferozmente, ficando com um vazio no peito logo depois HAHA).

Aqui os efeitos especiais são incríveis. Me contrata Warner. (Foto: Lelienne Ferreira)

Harry Potter foi (e ainda é) uma parte muito especial da minha vida, acompanhei a vida das personagens como meus amigos próximos, que me fizeram companhia, me fizeram chorar (ainda tenho uma fé, mesmo que digam o contrário, que do outro lado do véu do Sirius existe uma dimensão paralela e que ele pode voltar um dia aí), me fizeram rir e me fizeram xingar muito a Rowling no sétimo livro, depois que ela começa a carnificina Game-of-Thronesística a partir do Cálice de Fogo.

Não consegui ir em vários eventos de Harry Potter que rolaram desde que me entendo por gente pottermaníaca, seja por conta de dinheiro, seja por conta da vida mesmo, seja por conta de localização. Lançamentos dos filmes e livros até compareci, mas não é a mesma coisa. Quando vi que ia ter esse dos 20 anos de Pedra Filosofal, meio que fui obrigada a ir por força (de vontade) maior. HAHA

Ele foi o segundo evento BrainFitness organizado pelos Almanaque Urupês, Taubaté Shopping e Livraria Leitura, e o primeiro em que conseguimos ir. A ideia é ter um evento literário por mês promovendo encontros com grandes nomes da literatura! 😀


Olha a gente sentadinho ouvindo a Mônica. 🙂

Primeiro: Estava lotado. Quando eu digo lotado, digo loucamente lotado. Tinha ido pra conferir a fala da Mônica Figueiredo, editora da Rocco, e a sorte é que consegui um lugarzinho pra sentar no “Salão Comunal” com as bandeiras da Escola de Magia e Bruxaria do Brasil (EMB).

A fala da Mônica foi ótima, acabei pegando um pouquinho após o começo, mas perguntaram sobre Cursed Child (que inclusive já apareceu aqui no Castelo pelas mãos do Rafael), sobre as cenas que mais a chocaram (Sirius e Dumbledore </3), e foi tanta coisa que é mais fácil ir ponto a ponto…

A gente ouvindo conselhos relâmpagos pra vida da Mônica! <3

O livro que ela mais achou bem estruturado, em relação ao mundo, e ter esse toque Rowling é o roteiro do Animais Fantásticos (aliás, a fala dela me deixou bem tentada a dar o famigerado bizu), por ele já ter um enfoque amadurecido na questão da lore, do mundo, as personagens são bem estruturadas, mesmo sendo em um formato narrativo fora da prosa. Como aqui a gente lê teatro pacas, deu duas vezes mais vontade. HAHA

Uma pergunta que curti bastante foi sobre o que deu a dica de que Harry Potter valia a pena de ser trazido ao Brasil. A Mônica respondeu que algo que cativou foi a questão da bruxaria, do ensinar bruxaria, e que mesmo tendo assuntos que não são da realidade brasileira (como colégios internos), tem temas universais como orfandade, bullying, família, que podem ser discutidos por um longo tempo. Trazendo uma permanência e relevância pra obra e a traziam pra perto da nossa realidade. E, inclusive, que vão amadurecendo conforme as próprias personagens amadurecem, quando se vai, por exemplo, pro enfoque da depressão com os dementadores sem ser moralista e sem ser explícito (como um conto de fadas faria).

Ela contou um pouco sobre como foi o processo de tradução e adaptação dos livros, os termos, a aprovação da editora inglesa, a pressão de se traduzir algo que se tornaria a tradução oficial (olha os arrepios descendo a espinha), como é difícil manter esse afastamento de cenas que você gosta mais das que gosta menos (até porque precisa-se manter a qualidade em todo o processo); e como, quando não tem como ser fiel, se tenta ir pela tradução que choque menos, que tenha um impacto coerente com o original, adaptado à realidade do idioma e cultura.

Foi um papo maravilhoso de acompanhar, e o mais legal foi que quando consegui tirar uma foto correndo (que não deu muito certo, mas o que sempre vale é a intenção e a memória), deu pra conversar um pouco sobre trabalhar em uma editora e até recebi alguns conselhos de alguém que taí na labuta há mais tempo do que eu tenho de vida! HAHA (Aliás, obrigada, Mônica! <3 )

Mesmo irritada, ninguém resiste a uma selfie com Jovem Link.


Além disso, estava presente uma oficina maravilhosa de Transplante de Mandrágora, com a professora de Herbologia mais xuxu de todas (da EMB também!).

Transplantes de mandrágoras são complicados, sempre devemos lembrar de usar os EPIs (Jovem Link está sendo minhas luvas, sim.).

Foi rápido, porém uma viagem relâmpago por uma Camila de 9 anos imaginando a mandrágora gritando por estar fora de sua caminha terrestre. HAHA Inclusive acabei tirando várias fotos.

Havia lojas dentro do Complexo de Compras dos Boticários, mas acabei não entrando por conta de uma fila… enorme.

Olha esse complexo de compras!

Mas conseguimos fotos do lado de fora. Foi bom pra controlar um possível consumismo (fiquei desejando a mandrágora Zezé de pelúcia, alô, alô, aceitando para ser uma companheira do Jovem Link!).

Além disso, foram vários pottertubers conversar com o pessoal, dar autógrafos e receber vários abraços. 🙂

 

 

Moody: um olho na câmera outro no Jovem Link. (Foto: Lelienne Ferreira)

Um bônus vai pros cosplayers que estavam por lá, com o Moody até consegui uma foto, mas acabei perdendo uma Luna lindeza que estava dando umas bandolas por lá com seu Pasquim de ponta cabeça…

Pra encerrar essa cobertura potterística, fica o agradecimento aos organizadores que, mesmo na maior zona (5 mil pessoas não é brincadeira), tentaram o melhor pra organizar o rolê. E conseguiram promover um encontro bem mágico. 🙂

Estaremos no próximo BrainFitness!

E vai que vai #HarryPotter20 ! <3

 

 

Bônus 2:

A gente finge que sabe o que está fazendo no Quadribol.

Mas na real é tudo mentira. A gente tem uma mira péssima mesmo. Att. HAHA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Boa cerveja amanteigada para segurar a semana para vocês!

(Fonte da imagem da capa: ilustra por Jim Kay para Bloomsbury Pub.)

Quem é Lima Barreto pra nós?

Quem é Lima Barreto pra nós?

Lima Barreto é um poço maravilhoso de ambiguidade, atualidade e invisibilidade. Tudo num mix extremamente brasileiro e riquíssimo.

 

Bem, com a proximidade da famigerada FLIP, que tem como homenageado Lima Barreto esse ano, eu comecei a estudar um pouco da obra dele num curso que faço de dramaturgia. A única coisa que tinha lido dele tinha sido Triste Fim de Policarpo Quaresma por motivos escolares. Não estudamos o contexto de vida dele, nem o drama, só a história mesmo, porque, né… tem que acertar umas perguntas sobre o enredo no vestibular. E já está de bom tamanho.

Aí, nesse curso, achamos que seria interessante tentar conhecer mais sobre a relação que Lima tinha com o teatro (isso se tinha de qualquer forma) e começamos a ler o conto mais conhecido: O homem que sabia javanês. Pegamos depois a coletânea de contos, as coletâneas de crônicas (porque como esse homem escreveu! :O e estou bem ansiosa pra dar uma lida na biografia que vai sair pela Cia das Letras, OI, CIA DAS LETRAS! TE PASSO MEU ENDEREÇO SE QUISEREM!). Logo de cara quando você lê as coletâneas vê algumas contradições.

Na primeira, dizem que ele escrevia errado; aí, em outra análise dizem que na verdade o problema era do processo de edição, editores não revisavam e cometiam erros estrondosos; ou que a letra de Lima era uma tragédia e isso ocasionava em erros também…

Uma pessoa que tinha uma biblioteca enorme, sabia vários idiomas, deixou catalogado tudo que não conseguiu publicar, guardou várias de suas publicações e ainda mapeou os erros e onde haviam impresso de forma errônea… não me parece escrever tão errado assim.

É interessante como Lima Barreto é um retrato de uma época de transição, como a que estamos vivendo agora. O golpe da República havia estourado, ele descobria que o ser negro no Brasil não ia mudar muito com essa mudança de governo, que ser bom não implicava em justiça… e ao mesmo tempo ele era a pessoa mais ambígua que já vi.

Ele claramente não era da elite. Inclusive a criticava ferozmente em toda oportunidade que podia. Aliás, criticar era o que mais fazia, criticava a política, o teatro, a sociedade, a literatura, o país, machismo, racismo… e a lista vai. Como cronista a maior parte de seus assuntos eram críticas a algo ou alguém. E, ao mesmo tempo, tentou 2 vezes entrar para a Academia Brasileira de Letras (sendo negado em todas elas, e ia tentar a terceira, antes de desistir), aí saía decepcionado, criticava horrores, o tempo passava e lá ia ele de novo.

Então ao mesmo tempo em que odiava a elite, queria fazer parte dela. Mesmo fazendo sucesso e sendo reconhecido por quem estava na cena ‘underground’ da literatura e afins, não se sentia (ou não queria) fazer parte daquilo (inclusive, no mesmo ano em que morreu, 1922, recebeu uma carta dizendo que estava sendo homenageado na Semana de Arte Moderna (aquela mesmo), achou meio ~tosco, porém agradeceu e tudo o mais, mesmo tendo achado que a revista (a Klaxon) que recebeu era inicialmente de automóveis. HAHA).

Ele teve uma vida escrota. Não sei se existem palavras melhores pra isso. Herdou a loucura do pai, tinha problemas com álcool, direto ia ficar internado no sanatório, pois ficava alucinando pelas ruas (inclusive escreveu Cemitério dos Vivos em uma dessas internações e, minha nossa, que título coerente), pegou essa desilusão de que teria espaço sendo bom, mas infelizmente nascera com a cor errada, e isso é imperdoável na sociedade da época (ainda hoje…). Ele fez um retrato maravilhoso da sociedade, tinha uma visão de futuro incrível e uma tristeza plena de quem vê além.

Lima era fantástico. Era tudo que sua invisibilidade atual não diz. A escrita dele é atual, é diferente de tudo. Escrevia maravilhosamente, era afiadíssimo nas suas análises da sociedade (que quanto mais eu leio, mais vejo semelhanças do período atual), lia horrores. Por mais que muitas revoltas dele sejam extremas demais ou vinculadas à revolta dele com tudo e todos por não ser aceito em nenhum lugar que queria (por exemplo, em várias crônicas onde ele execra Artur Azevedo e João do Rio, que me abismaram). Ele é muito mais que o Policarpo que li no ensino médio. Muito mais que o homem que sabia javanês. E a parte boa de estar sendo homenageado na FLIP é que um pouco dessa invisibilidade que passou na vida toda vai ter a chance de ser um pouco iluminada (até porque eu ainda não sei quem é Lima Barreto…).

E, como magnífica pessoa ambígua e complexa que é, ainda pretendo visitá-lo no xiquetérrimo cemitério em Botafogo, já que, pelo menos morto, conseguiu ser aceito onde queria.

 

Como aqueles plus lindezas de dicas de leitura, tem 2 volumes FANTÁSTICOS de crônicas de Lima publicados pela Editora Agir (que vai da esperança de um Lima novinho, até a desilusão dele adulto) e a coletânea de contos (também fantástica!) pela Cia das Letras. E também tem uma adaptação belezura d’O Homem que sabia javanês:

 

Fonte da foto usada na capa: Grupo Companhia das Letras.