Era uma montanha gigante, enorme, ela segurava um pedaço de madeira. Em O Duelo da Montanha temos um desafio aparentemente intransponível, uma corrida, tentativas de diálogo, o combo completo.

E voltamos com mais um conto! 😀

Esse foi inspirado por uma situação que ocorreu dia primeiro de abril, mas não era de fato uma história de primeiro de abril, envolvendo um camundongo, um saco de cimento e buracos na parede (Obrigada, Cesar, pelos áudios descritivos HAHAH).

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O Duelo da Montanha

 

Meus pais sempre disseram que a morte estava próxima.

Que todos nós íamos um dia.

Que precisávamos estar atentos e vigilantes em todos os momentos.

Eu sabia que eventualmente esse dia chegaria pra mim, mas não pensei que viria dessa forma.

A criatura tinha o tamanho de uma montanha.

Era enorme.

Corri.

Corri como sempre corria quando sentia meus instintos pinicarem.

Vi-a se posicionar, cercando um de meus antigos esconderijos. Eu não entendia essa estratégia, a montanha sentara-se, com um pedaço de madeira enorme na mão, e olhava para o buraco, uma cara de tédio na face. Eu supunha que era apenas um disfarce. Talvez algo mais ardiloso me esperasse caso eu me movesse do canto em que enfiara.

Dizem que essas criaturas tem olhos nas costas.

Eu continuei na posição em que estivera antes. Imóvel. Mal respirando.

Mas a criatura continuava lá.

Minutos se passaram, minutos que pareceram horas ininterruptas para a fome que eu sentia. Eu só queria ter tirado um cochilo antes.

Decidi descer.

A criatura deu um pulo. A madeira foi ao chão.

Pelo visto meus pais também estavam corretos ao me dizer que o tamanho não era correspondente ao impacto.

Voltei ao canto em que me escondera e vi a criatura se aproximar.

Ela mexia a boca e sons ininteligíveis saíam.

Meus pais também me alertaram contra esse impulso de comunicação primitivo que essas criaturas tinham.

Depois de um tempo ela desistiu e voltou a se sentar em seu canto. Dessa vez olhando fixamente para o canto em que eu estava.

Decidi ser alguém superior e tentar dialogar.

Mas toda vez que tentava avançar em sua direção para conversar ele agitava um chinelo em minha direção, me indicando que voltasse.

Era uma sinuca de bico. Um impasse mexicano envolvendo nós dois e o chinelo.

Impossível compreender as atitudes dessa criatura. Que esperava pacientemente, pelo quê eu infelizmente não sabia.

Eventualmente, depois que o sol se movera bastante no céu, a criatura suspirou e saiu.

Eu saí cuidadosamente do meu canto, e decidi subir o muro e percorrer outras terras.

Mas nunca esqueceria esse encontro, principalmente porque nunca o compreenderia completamente.