O último livro lido do ano e a primeira resenha de 2019! De volta pra casa foi uma das aquisições lá da FLIPOP 2018, e bem, que casa, senhoras.

Sinopse: “…e a única pessoa que pode lhe dizer como sua história termina é você”.
Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar… diferente.
Nancy viajou para um desses lugares, e agora está de volta. As coisas que ela viu… mudam uma pessoa para sempre. E as crianças sob os cuidados de Eleanor West compreendem isso muito bem: cada uma delas procura a porta de volta ao seu próprio universo fantástico, mas poucas conseguem encontrá-la. Afinal, mundos mágicos têm pouca utilidade para crianças cujos milagres já foram usados.
A chegada de Nancy marca também uma terrível mudança no internato. Há uma escuridão pairando à cada esquina, e quando a tragédia ataca, Nancy e seus colegas precisam desvendar o mistério.
Não importa o custo. (sinopse de De Volta para Casa do site da editora)

Eu peguei esse livro por recomendação da Gi lá no estande da Morro Branco na Flipop, dentre todos os livros possíveis que havia lá, falei que só ia conseguir levar um e pedi uma indicação. Aí ela me passou esse livro e desde então ele tinha ficado parado na estante por conta das loucuras de 2018. (Vide retrospectiva da loucura do post anterior)

Antes do ano acabar, naquele limbo pós natal e pré-ano novo, um espaço entre as existências, fui pra esse livro.

Acabei lendo ele inteiro numa tarde.

HAHA

Porque ela queria saber o que havia no fim da longa trilha entre as árvores, e porque não queria voltar antes de entender tudo. Porque, pela primeira vez em uma eternidade, sentia que estava indo para casa, e aquela sensação bastava para mover seus pés, devagar a princípio, e depois mais rápido, mais rápido, até que ela estivesse correndo pelo límpido ar noturno, e nada mais importava, nem jamais importaria novamente…

De volta para casa, Seanan McGuire, tradução de Ana Death Duarte, p. 24

A ideia de casa pra autora é uma coisa incrível, me lembrou muito o que o Swami fala sobre um chamado em sua visão de mundo. A ideia de que algumas crianças tem um chamado, pra um mundo paralelo, que funciona diferente, que é diferente, algumas voltam, algumas não.

A premissa ao meu ver foi “o que rolou com Alice depois de ir e voltar do País das Maravilhas? Como ela se ajustou? E se tivessem mais mundos além desse?”. E a partir daí a autora vai descendo numa tensão absurda, que vai desde traumas, de mundos que pessoas preferem esquecer até mundos que não se consegue esquecer porque se quer demais voltar.

Ela era uma história, não um epílogo. E, se optasse por narrar sua própria vida uma palavra por vez, enquanto descia a escada para encontrar-se com a menina que acabara de chegar, não estaria fazendo mal a ninguém. Afinal de contas, é difícil perder o hábito da narração.
Às vezes era tudo que se tinha.

De volta para casa, Seanan McGuire, tradução de Ana Death Duarte, p. 19

A sensação de achar um lugar ao qual você pertence e perder isso deve ser desoladora. E isso é tão bem registrado no livro que pra mim é um dos pontos altos.

A capa não faz jus ao conteúdo lindeza que tem dentro, ela acaba ficando genérica na frente de tanta diversidade de portas e mundos.

É um livro sobre a vida, sobre infância, sobre adolescência, sobre pessoas perdendo o tino. Eu gostei demais dele. Embora tenha momentos meio expositores demais ou tente abarcar demais cada tipo de pessoa de forma explícita, maaaaas, como eu não sou esse público alvo (sinto que o foco mesmo são adolescentes), eu consigo entender plenamente e concordar com as escolhas. Só não vou explanar demais o que é exposto, porque gostei bastante de descobrir o que cada personagem era. Foi um esforço de trazer uma variedade de pessoas e de seus interesses num meio em que cada um é de um jeitinho e de um mundo diferente. E pra mim esse livro acaba ficando essencial pra quem está nessa fase.

– Eu odeio essas roupas – disse Nancy. – Pode ficar com todas elas. Corte-as e faça fitas para colocar na sua árvore, eu não me importo, só tire essas coisas de perto de mim.
– Porque elas são das cores erradas, certo? São o arco-íris de uma outra pessoa.

De volta para casa, Seanan McGuire, tradução de Ana Death Duarte, p. 32

A tensão nesse livro é excelente, aliás. É um suspense que te deixa na pilha pra terminar. E entrega muito bem sua conclusão. Fechando o que precisa. E deixando aberto alguma possibilidade de continuação (eu por exemplo fui caçar sobre a sequência por conta do enorme número 1 da lombada, mas é uma história realmente fechada, a continuidade fica nas possibilidades da continuidade da vida mesmo).

E de acordo com a Morro Branco, o número 2 vem esse ano ainda! 😀

Estaremos no aguardo por mais da incrível casa de acolhimento de Eleanor West.

De volta para casa
Autora: Seanan McGuire
Tradutora: Ana Death Duarte
Editora: Morro Branco
Páginas: 184

 

 

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