“E o mundo será teu inimigo, Príncipe com Mil Inimigos, e sempre que te pegarem, vão te matar. Mas primeiro precisarão te pegar.”

Uma pequena turma de coelhos busca um novo lar depois que um deles prevê a violenta destruição de seu viveiro atual. Eles cruzam uma parte do Condado de Hampshire, tentando sobreviver aos seus predadores naturais e a crueldade dos humanos.

A narrativa de Watership Down é absolutamente apaixonante. Adams deixa transparecer na sua fábula não apenas todo o seu amor pelos coelhos, mas também o respeito que os animais merecem. A partir do comportamento real e instintivo dos lapinos o autor transforma a sua irracionalidade fazendo com que os coelhos tenham a sua própria cultura, religião, idioma e consciência artística. O êxodo dos coelhos se transforma numa aventura épica e emocionante, com um final satisfatório e tocante. Todos os personagens são, diferente da impressão que os primeiros capítulos nos dá, relevantes, donos de uma personalidade única e um papel a cumprir.

Por outro lado, o livro dá impressão de ser desnecessariamente grande. A medida que você vai chegando perto do fim, fica cada vez mais claro que alguma linguiça ali foi enchida para que o romance totalizasse 50 capítulos (um preciosismo desnecessário). Até sonhei com coelho de tanto que eu li.

NADA disso estraga a emocionante experiência que é acompanhar a jornada de Avelã, digna de merecidos 8 Gabos de nota. Por falar em merecido, parabéns Editora Planeta pela reimpressão espetacular (e bem necessária). Uma ilustração linda e uma tipografia maravilhosa na capa também.

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Em Busca de Watership Down – Richard Adams
464 páginas – Editora Planeta