“Eles se dão bem, porque todos nós estamos solitários, carentes, desrespeitados, doidos pra comprar qualquer porcaria que faça a gente acreditar que a gente faz parte de alguma coisa maior… Nós somos peças de um jogo, Maxi, e o jogo é de cartas marcadas, e ele só vai terminar quando a internet — a verdadeira, o sonho, a promessa — for destruída.”

Na pós-virada do milênio a especialista em fraudes fiscais Maxine se afunda no mundo geek/nerd afim de investigar as movimentações suspeitas de uma start-up que aos poucos revela estar afundada em conspirações terroristas. A trama passeia desde contrabando de sorvete russo proibido até a conspiração do recém ocorrido atentado de 11 de Setembro.

Como em todos os livros de Pynchon, a trama é fluída e carregada de um humor encantadoramente pastelão. Aqui Pynchon afrouxa um pouco as cordas que mantém muita da sua escrita algo inacessível. O fato de que é uma obra recente que ocorre nos anos 2000 também torna toda a informação muito mais digerível para os novos leitores, ainda mais com as numerosas referências de costume que são um show a parte e variam de um vasto número de filmes até personagens de Pokemon e Dragon Ball Z. É uma leitura bem menos densa em comparação com as anteriores como a pesadíssima Mason e Dixon ou V sendo apenas menos acessível que a clássica porta de entradas ao mundo Pynchoniano, O Leilão do Lote 49.

Pynchon como sempre imerge no assunto para escrevê-lo. Suas obras são sempre muito ambiciosas: Parece que não há assunto que ele domine apenas superficialmente. Estamos lidando com um escritor que sempre sabe do que está falando e neste caso mergulhamos com ele nas fraudes fiscais, deep web, geek world, conspirações de 11 de Setembro. As leituras pynchonianas nunca são tranquilas e esse livro não é uma exceção à regra: A história transborda de informação em cada parágrafo. É um pastiche de tudo, uma grande, intrincada e gigantesca piada sem fim. E nós meio que nos pegamos dentro dela, de repente.

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O Último Grito – Thomas Pynchon
584 páginas – Companhia das letras