Confusões de Laços é um conto sobre alguém que faz nós de marinheiro e laços humanos… ou nós de humanos e laços de marinheiro. Algo assim.

Faz tempo que não posto nenhum conto por aqui, aí comecei a escrever e saiu essa inspiração marinheirística. 🙂

Espero que curtam essas confusões de laços que a vida traz.

Confusões de Laços

 

Era especialista em nós de marinheiro, fazia todos nós possíveis, as voltas, as alças… os fazia com uma destreza inumana. Olhais não era simplesmente um verbo conjugado na segunda pessoa, não, eram aqueles tipos de laços que não corriam por nada.

Infelizmente confundia os vocabulários com frequência, trazendo seus nós para o dia a dia urbano. Afinal, as palavras eram muito próximas, costurar, abotoar, recorrer, socar (é…), mãos, botões, costuras e até pinhas.
Classificava seus laços humanos como se fossem cabos ou demais elementos de uma embarcação…
Os nós serviam para unir cabos, objetos… Seja para impedir um movimento ou deixar que corresse livre de forma correta.

Fazendo um nó simples, inferia aquela amizade de colega, existe um contato, mas não é feito pra durar muito.
Agora, quando dizia fazer um nó de oito, ah… começava com um nó simples, mas tinha mais afeto, era mais confiável, parecia o mesmo, mas era mais firme.
Às vezes usava uns termos que preocupavam outras pessoas, uma vez disse que tinha uma amizade que era como um lais de guia pelo chicote. Pessoas ficaram preocupadas que estivesse apelando para a violência, mas acabou que era um termo bem genérico, comum, mas super seguro. Uma amizade das boas. Daquelas clichês de filme de sessão da tarde. Também dizia que socava suas amizades, mas isso só queria dizer que fazia seus nós e voltas com destreza e intensidade.

Uma vez disse que tinha amigos que eram como um nó direito, feitos do mesmo material e unidos.
Mas que não era melhor nem pior de outros que eram nós singelos, que não importava o material, poderiam se unir da mesma forma.

Criticava ferozmente amizades como nós de escotas prontos a disparar, são amizades que desarmam fácil, já construídas para acabar.

E achava lindo quando encontrava alguém com quem poderia fazer um nó de pescador, e se emendar firmemente.

Em ocasiões se perdia ao falar de suas voltas e voltas… quando você liga um cabo a um mastro… ou algo assim. Nunca entendi bem.

Em emergências dizia que uma volta redonda resolvia tudo, e chamava pessoas com quem poderia contar a qualquer instante.

Adorava pessoas com quem poderia fazer pinhas, perdendo horas e horas, se preenchendo e modelando com a companhia.

Infelizmente, pessoas são mais complexas que nós, cabos, voltas, pinhas, não é simples medir diâmetros de alguém, a bitola pode enganar, um chicote pode descochar e nem tudo pode ser resolvido com uma falcaça bem socada.

E acabava sempre se voltando à confiança de seu mar.

 

 

 

Para conferirem outros contos, é só virem AQUI, e lembrem de acompanhar pelas redes Insta, Face e Twitter. 🙂