All you need is kill me trouxe uma esperança de histórias boas e mais uma prova de que fan service é imposto a quem cria dentro um mercado específico

Sinopse: A humanidade está em uma guerra nunca antes vista. Os inimigos são alienígenas chamados Mimetizadores. O soldado novato Keiji Kiriya e a valqúiria do campo de batalha, Rita Vrataski, fazem parte parde uma tropa especial. Porém, Keiji está preso em um ciclo de batalhas intermináveis e, agora, somente ele vive no limite do amanhã…!

Esses tempos atrás estava conversando com o Julio sobre fan service em jogos japoneses (estava surtando novamente pelas babaquices forçadas do Persona 5, o negócio é tão forçado que não tem como, né), então, gradicida por ter me inspirado a fazer a resenha aqui! Aí cheguei à conclusão de que na real, tanto jogos quanto mangás, animes, são feitos pra um público de nicho, e existe uma covardia do mercado de não colocar fan service babaca “porque vai que não vende, não é mesmo?”. O que é jogado no chão quando vemos tanta coisa indie fazendo sucesso e sendo vendido. Mas, os conservadores no topo não querem saber nada disso. Vamos colocar uns peitos, uns ângulos forçados e umas situações ridículas porque a galera vai se ~entreter~ e a gente fica acomodado ganhando dinheiro com punhetagem.
Não vou me estender muito nesse assunto, senão a resenha não vai ser sobre o mangá em si HAHA

Já apareceu aqui no blog minha resenha full putaça sobre Zetman (e meu arrependimento eterno de ter assinado essa bagaça de merda) e meu questionamento de “qual o papel das editoras brasileiras ao trazerem um conteúdo que faz apologia ao estupro ou até pior, no caso de zetman, à pedofilia, e hipersexualiza as personagens???” Não seria um papel de cumplicidade e de que estão de acordo com isso? Ainda mais considerando que nosso mercado não é o mesmo (mesmo que, né, lembremos da galera BR reclamando pra JBC da escolha do próprio autor de tirar uma cena desnecessária de nudez de Ghost in the Shell)? Bem. Pra isso eu precisaria dar uma pesquisada maior e consultar mais pessoas pra entender esse nicho todo.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, é sempre bom ver que tem gente que tenta fazer uma história boa e demonstra que é forçado de forma óbvia a inserir elementos ridículos. É nisso que se enquadra All You Need is Kill. Peguei emprestado porque tinha bastante vontade de ler e olha, que história belezura.
Densa na medida certa, verossímil e passa exatamente a sensação do que você sentiria ao morrer vezes seguidas e ser obrigado a viver o mesmo dia (ou o mesmo conjunto de dias) num loop perturbador e aterrorizante, sentindo todas as dores de todas essas mortes. Fantástico.

Ele é completo em 2 volumes e tem a versão em volume único pela JBC também! Depois de ler fiquei com zero vontades de assistir ao filme, pra ser sincera HAHA O fato de ter um protagonista guri no meio dessa guerra, de todas as implicações que isso traz, as inseguranças, a perda de esperança, a vontade de morrer, é completamente incompatível com o super incrível sempre fantástico super herói o maior maratonista de correria de Hollywood Tom Cruise no papel. “Ai, Camila, mas é uma adaptação, eles mudaram uma penca de coisa no filme pra ficar compatível e bla bla bla”, eu sei, mas é que é tão fantástico o fato de ser um guri e a evolução das personagens no mangá que ahhhhh… o filme é só mais um filme sobre o Cruise sendo fantástico, nem preciso assistir pra saber (e o fato de terem mudado o final pra algo mais hollywoodiano também tira a intensidade, não vou me estender nesse assunto por motivo de spoilers).

Sobre o assunto que iniciou a vontade de fazer uma resenha sobre ele entra o fan service. Cada volume tem literalmente 1 (uma, one, una, solamente una) página dupla de fan service, retratada por meio da cozinheira, que ~cai acidentalmente depois de trombar com o protagonista. Claro que ela tem peitos do tamanho de melancias e está de minissaia e top no meio de uma estação militar (e caiu em ângulos que fornecem visões ~propícias). Agora, a parte em que me deixou satisfeita foi ver que até a cena tem uma vibe de relaxo na hora de ser feita e claramente destoa de toda história.

Poxa, é completamente descartável ao tom denso. Não tem nada de adicional ao todo e isso é deixado bem claro. Coisa que achei maravilhosa e torna um retrato de como autores podem ser obrigados (nem todos os casos, vide zetman e outros seinens/hentais) a inserir o famigerado fan service pra otakus (no sentido original e depreciativo da palavra) consumirem. Tem estudos de que o problema do fan service estar aparecendo cada vez mais é dos próprios consumidores agora terem se tornado criadores de conteúdo. E aí surgem essas violências todas.
Vejam que, se não ficou claro, a crítica não é sobre peitos, mulheres bonitas (Gangsta taí pra provar que rola fazer personagens maravilhosas e com densidade e ter peitos grandes (e coerentes, sempre bom frisar) envolvidos), a crítica é sobre gratuidade e violência (e uma possível legitimação a eles). E minha paz ao ver que tem gente que faz boas histórias ainda publicando, mesmo que seja obrigado a duas páginas de fan service.

Que um dia não precisemos de nenhuma.

All you need is kill
Autor: Sakurazuka Hiroshi e Takeshi Obata
Editora: JBC Editora
Páginas: cerca de 210 páginas cada
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