“Ao lado de Clary, Jace respirou fundo. Ela girou para olhar. Havia uma mancha vermelha se espalhando na frente da camisa dele. Jace tocou a mancha com a mão; os dedos voltaram sangrentos. Somos ligados. Se cortá-lo, eu sangro.”

Depois de derrotar Valentim, Clary  tem de lidar com seu irmão psicopata incestuoso cuja alma está ritualistica e bizarramente conectada à de Jace.

O fim do quarto livro foi um pouco forçado, mas deu o gancho necessário para toda uma nova aventura na série dos Instrumentos Mortais. Dessa vez Clary abandona praticamente tudo o que lhe resta para correr atrás do seu mozão e o faz de maneira verdadeira, não apenas uma desculpa para que as coisas aconteçam. Ponto positivo, apesar da nossa vontade de gritar “Não faz isso, mulher!” a cada péssima ideia/decisão.

As coisas tem um ritmo um pouco arrastado na primeira metade do livro porque tem personagens demais para a Cassandra mover no seu tabuleiro e isso causa uma certa irritação com algumas situações. Eventualmente acabamos por odiar a Maia e o Jordan porque são personagens cujas ações não nos interessam mais e eles ocupam bastante páginas. O resultado disso é que tem-se a impressão que os personagens passaram um mês na casa de Magnus (um dos personagem mais cativantes e menos aproveitados de toda a série). O subplot de Malec também enfraquece mas pelo menos as coisas acontecem: Há uma conclusão. Para melhor ou para pior, parece que o conceito do personagem Alec mudou da água pro vinho: ele passou tanto tempo com Clary que acabou pegando a mania de fazer burradas. Isabelle quase torna-se interessante. É Simon quem, como de costume, rouba as atenções da trama quando Clary não está.

Se há pouca atenção dada à construção dos personagens secundários, pelo menos os protagonistas brilham. É gostoso ver Clary como shadowhunter finalmente: Ela aprendeu a brigar, a sentir o calor da batalha, a não se curvar a ninguém. Sebastian não está muito convincente como vilão (nem o plano dele aliás, porque se fosse assim tão fácil criar um Cálice Infernal, o mundo já estaria destruído há séculos) porém tem seus momentos marcantes. A briga de Clary e Sebastian ganha um destaque especial por tornar-se uma briga muito doméstica e crua. E esse é um dos pontos altos do livro: Pela primeira vez em todos os volumes você realmente empatiza com a protagonista, porque é um momento crível, é um momento real.

Como era de se esperar, o quinto livro de uma série destina-se às pessoas que já conhecem não apenas a trama mas também a escritora. Acompanhar o aperfeiçoamento da escrita de Cassandra é uma coisa que só um fã que já engoliu as capas horríveis e está disposto a engolir mais uma pode entender. A série mantém-se fiel à ela mesma, assim como sua nota, 8.

PS: Todo o livro vale a pena pela excelente parte da Clary louca de LSD de fada numa balada em Praga.

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Os Instrumentos Mortais – Cidade das Almas Perdidas – Cassandra Clare
434 páginas – Galera Record