“Estar morta provavelmente é como tudo mais na vida: você aprende um pouco no processo e depois inventa o resto”

AS RAPIDINHAS VOLTAAAARAAAAAM, E EU TAMBÉM VOLTEEEEI! (Refs sertanejas)

E voltamos com um Gaimanzinho básico porque é, sinceramente, mais fácil de resenhar

Como de costume com livros do Gaiman, o ritmo é fluído e a escrita é divertida e leve. Gaiman tem aquele poder estranho de descrever coisas de maneira rápida e tranquila, fáceis de imaginar, embora bem diferentonas até pra quem curte fantasia e já tá acostumado. Acho que isso é o que ele tem de melhor: A habilidade de tornar uma fantasia densa numa coisa leve sem que os momentos pesados percam o seu peso emocional. No mais, o livro é repleto de folclore africano, deuses novos, lendas divertidas, coisas BEM ~originais hoje em dia. Gaiman cria mundos imprevisíveis.

Uma coisa com a qual eu sempre tive um pé atrás com livros de fantasia/sci-fi: A travessia do limiar no início da jornada do herói. Aquele papo de “isso só pode ser um sonho” ou “isso é loucura” simplesmente não me convence. Neil Gaiman dribla essa passagem de maneira ótima, no entanto: O personagem principal simplesmente vai aceitando o mundo mágico aos poucos, derrubando a barreira do ceticismo de forma natural, não-forçada (e isso é consideravelmente raro), de maneira que o ritmo que determina o livro no primeiro capítulo mantém-se até o último. Ao terminar de ler, parecia que havia acabado de começá-lo.

Nem tudo são flores no entanto: Sendo um livro que se passa no universo de Deuses Americanos (um dos melhores livros que eu já li na vida) é apenas natural que se espere por algo no mínimo grandioso ou igualmente tocante. Se essa, como foi a minha, for a sua expectativa, desista. Essa é uma história de família e portanto, é uma história íntima sobre aceitação. Se você esta procurando por um livro de aventura, não é esse. Ah, e eu não engulo essa história de “compreenda seu pai ausente” ou “ame seu pai cuzão”, mas isso é uma opinião minha, não vai influenciar sua leitura. Tem algumas passagens meio chatas também em que o leitor é bem subestimado (algo do tipo “óbvio que isso vai dar merda”) que torna algumas (poucas) coisas previsíveis e desinteressantes. E também achei o vilão idiota.

Enfim, talvez o ponto mais positivo da obra toda seja que em momento algum Gaiman sente a menor necessidade de descrever os personagens como negros, diferente de TODOS os livros de ficção de hoje em dia em que presumimos imediatamente que as pessoas são brancas. Isso é literatura de verdade. Isso é saber escrever, cara.

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Filhos de Anansi – Neil Gaiman
384 páginas – Editora Conrad