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“Só porque se trata de um relacionamento, de uma coisa sentimental, não quer dizer que não dê pra tomar decisões racionais a respeito. Às vezes é o que a gente precisa fazer, ou não chega a lugar nenhum. Aí é que está o meu erro. Ter permitido que o clima e os músculos do meu estômago e uma sensacional passagem de acordes num single dos Pretenders decidam por mim, e agora quero passar a decidir eu mesmo.”

Os passos de Rob Fleming curtindo uma fossa ferrada depois de ser largado pela namorada, num diálogo-de-homem-para-homem com o leitor sobre relacionamentos.

Apesar de ser principalmente sobre estar e não estar mais com outra pessoa, essa história no final se revela abordando o amadurecimento de uma relação e como isso tudo ocorre numa espécie de puberdade tardia do jovem-adulto. Repleto de um sentimento de estar mais perdido do que um cego em tiroteio, um late coming of age cheio de passagens auto-depreciativamente engraçadas, mas que no fundo traz todo o desespero de alguém que fez 35 anos e descobre a verdade destruidora da vida, pior que a inexistência da Fada do Dente, do Papai Noel: Os adultos, como as crianças e os adolescentes, também não tem a menor ideia do que estão fazendo aqui.

Além disso, esse livro é a prova cabal de que o machismo afeta negativamente os homens heterossexuais também: Através do jeito correto de homão de agir, Rob passa por todos os estágios da infantilidade machona, ignorando o atalho mais óbvio e simples do mundo para a maior parte dos relacionamentos bem sucedidos: O diálogo e a auto-crítica.

É divertido  ver o processo de crescimento de Rob, extremamente sincero, mesmo que aos trancos e barrancos. Ele é uma vítima do mundo, assim como todos nós, e é obrigado a sobreviver (uma tarefa dificílima quando se é meio imbecil). A verdade é que as pessoas amam esse livro porque o Rob se acomoda fácil com qualquer coisa na vida, além de sabotar a si mesmo. Ele é como eu, ou você: Sabemos que somos burros, arrogantes ou babacas e não queremos pedir desculpas por isso. E também somos orgulhosos e tudo isso nos faz sofrer.

O livro também tem uma presença musical muito forte e é realmente inspirador (e bem educativo, até), tanto que fiz uma playlist no Spotify baseada nela, que você pode conferir aqui.

Eu daria um sete e meio.

7emeio

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Alta Fidelidade – Nick Hornby
312 páginas – Companhia das Letras