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Canta, ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, que incontáveis males trouxe às hostes dos aqueus. Muitas almas de heróis desceram à casa de Hades e seus corpos foram presa dos cães e das aves de rapina, enquanto se fazia a vontade de Zeus, a partir do dia em que se desavieram o filho de Atreu, rei dos homens, e Aquiles, semelhante aos deuses.”

Odeio resenhar clássicos porque há um sentimento de estar ferindo alguém muito importante, independente da minha opinião, sem contar que já foi resenhada milhares de vezes ao longo dos séculos, então é de certa forma uma responsa pesada e importante. Mas vou arriscar pra comemorar a vigésima Rapidinha e o início do ano.

A Ilíada é um volume bem grosso (muitas vezes resumidíssimo em livrinhos de ensino médio, plmdds, EVITE-OS) e se concentra no final do cerco dos aqueus (ou “gregos”, para os íntimos) de dez anos à Cidade de Troia numa guerra causada pelo rapto de Helena.

O mais interessante é que na Ilíada jamais foi escrito nada do que a torna mais famosa: O calcanhar de Aquiles, o cavalo de madeira onde os gregos se esconderam para invadir Troia, sequer o rapto de Helena; a narrativa se inicia quase uma década depois do ocorrido, no fim do cerco da guerra. Os arquétipos que criam a mitologia da Ilíada são apenas mencionados e mais tarde, explicados na Odisseia. A Ilíada se foca no entanto, na relação dos deuses com a guerra e nas lutas pessoais de Aquiles e Heitor.

Se você for encarar o clássico dos clássicos, prepare-se para uma trama extremamente repetitiva, cheia de mortes e desmembramentos, mas nem por isso não-cativante. O destaque vai para os capítulos com os deuses. De fato, é uma mitologia cheia de fantasia e muito rica. Os deuses acabam se envolvendo na guerra e até mesmo se agredindo (O tapa que Hera desfere em Deméter é fenomenal). Mais humanos que todos os humanos, eles roubam a cena com trapaças, sexo e acima de tudo, sentimentos pessoais.

O fato de que a guerra de Troia, embora fantasiosa nas mãos de Homero (até sua autoria é controversa), realmente tenha acontecido, só torna tudo misteriosamente real, humano. Soma-se à esse sentimento de realidade o machismo histórico, a vontade dos personagens de provarem seu valor, a banalização da barbaridade, o guerrear de homens pelos governos a quais nada realmente devem. Enfim,  digno de uma nota 8.75 que eu vou arredondar para 9 porque eu não sou professor de faculdade mas Homero é meu queridinho mesmo assim.

Nota 9

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Ilíada – Homero
435 páginas – Difusão Européia do Livro – Difel