resenhas_diarios

“Até mesmo tentou um sorriso. Mas apesar de haver muitos dentes no riso, não havia coração.”

Primeiro eu gostaria de ressaltar a dificuldade de descolar uma edição do primeiro livro da série Artemis Fowl: Os livros não tem um tratamento que norteie o leitor com relação à saga. Sem o auxílio da internet eu não saberia por onde começar a série (ajudarei os interessados). Apesar disso a editora deu um tratamento bacana pro livro, com uma capa bem legal, apesar da diagramação meio infantil com aquelas runas em todas as páginas.

A história não é tão divertida e os personagens não são tão cativantes (o personagem Raiz é odiável), mas como o início de um mangá, percebe-se que ao longo do tempo eles vão evoluir bastante. Só isso serve de explicação pra série ser longeva (oito livros) e muito embora não seja tão famosa quanto os seus conterrâneos infanto-juvenis, tem a sua fanbase estabelecida e uma boa quantidade de fanarts interessantes por aí. No todo, talvez não passe disso: um livro infanto-juvenil que qualquer leitor assíduo de Percy Jackson, Jogos Vorazes, Divergente, Dezesseis Luas, (Oh, pobres de nós, eternos órfãos de Harry Potter) vá gostar.

Claro, ser um título infanto-juvenil em série não garante qualidade: Artemis é um personagem arrogante e horrível para se ter como protagonista (mais uma vez reitero que ele provavelmente vai desenvolver essa personalidade nos livros seguintes). A trama também caga um deus ex machina pra tudo. As leis das fadas (reveladas convenientemente na hora necessária, pois plot) são absurdas e sua mitologia foi praticamente massacrada por Colfer. Ali encontramos um universo novo, de fato, mas que nada tem a ver com elfos, fadas e anões (Não vou detalhar a vergonha alheia que senti lendo dos problemas intestinais nocauteadores de um anão, coisa de fazer Thorin se revirar no túmulo em justificada agonia).

Artemis Fowl tem um potencial grande no entanto: Vê-se que o autor cuidou para que os livros fossem mesmo desenvolvidos em série, há citações das histórias posteriores e bons ganchos. Não sei porque diabos eu estou com vontade de ler os próximos. Acho que é aquela aura mística de Percy Jackson, sabe? Aquela literatura é muito ruim, mas é inegavelmente divertida. Artemis Fowl é isso, mas bem menos empolgante.

Ah, e as piadas não tem graça nenhuma.

cinco

Saiba mais no Skoob
Artemis Fowl – O Menino Prodígio do Crime – Eoin Colfer
288 páginas – Record