conto pote

Tcharãaaan, mais uma semana, mais um conto serial. Dessa vez, um novo serial killer desponta no horizonte. A Serial Tupperware. Sem misericórdia. Sem tampas.

E parece que todas as inspirações de contos que recebo do moço Adriano são de assassinos seriais. Curioso. Deveria mandar investigar esse senhorito.

Já apareceu aqui o conto do Serial Paper (também inspirado por ele), onde assassinatos ocorrem com o maior dos requintes de crueldade. MAS! Hoje tem outro serial killer… o Serial Tupperware. Será que é molho da macarronada de domingo? Será que é sangue? Acompanhem.

Serial Tupperware

As manchetes se sobrepunham. Todos os jornais noticiavam sem descanso. Aqueles programas de desgraças na TV só falavam nisso. Enquetes eram publicadas em redes sociais. Amizades eram desfeitas nessas mesmas redes sociais por opiniões contrárias. A polêmica superou a efemeridade do mundo internético. Jornais estrangeiros noticiavam em choque.

Aqueles casos eram sem precedentes. Não era possível identificar as vítimas, os traços – digitais, arcada dentária, cabelos – estavam de tal forma que os legistas passavam semanas para desvelar pistas.

Parentes que tinham familiares desaparecidos faziam filas nos IMLs, tentando ver se era possível relacionar as vítimas aos seus próprios casos. A polícia só descobriu o que as conectava depois de quase 3 meses de investigação: através de pedacinhos de papel com nomes que eram colados nas gargantas das vítimas.

Todas elas tinham um hábito em comum: todas tinham uma coleção considerável de tupperwares em suas casas. Sim, tupperwares, aqueles potinhos super práticos, de plástico ou de vidro, que você usa pra guardar as comidas ou outras coisas. Aqueles cujas tampas se proliferam como penicilina e que se você empresta é o mesmo que dar de presente, porque nunca mais verá.

Até aquele dia.

Em uma sacada de uma policial iniciante, que vendo as fotos dos tupperwares nas cozinhas triangulou suas origens até outras casas (em um processo praticamente infinito, já que muitas vezes um tupperware surrupiado foi por sua vez também surrupiado em diversas situações) ela descobriu que essas vítimas tinham um hábito de roubar os benditos potinhos.

Elas pediam emprestado para levar alguma coisa para casa e VAPT. Surrupiavam os potes alheios e ainda colocavam adesivos com seus nomes para fingir que eram seus (a policial fez diversos testes químicos para atestar a idade dos adesivos, verificou que eram recentes demais para a idade do plástico ou do vidro dos respectivos potes e comparou-os com os encontrados nos corpos).

A policial teve um certo asco ao descobrir o tipo de pessoa que eram as vítimas, mas seu trabalho era ser imparcial e trazer justiça, então continuou suas investigações.

Havia um serial killer que matava ladrões de tupperware. Ao liberarem essa informação para a mídia, a polêmica se instaurou. Alguns achavam que era justo, outros que era uma punição severa demais para “algo que todos faziam, fazfavor, né”.

Apenas ao montar uma armadilha infalível (montaram uma campanha de “Poste a foto do seu tupperware roubado! kkkk”) conseguiram prender a gangue do serial tupperware. Era composta por 3 pessoas já cansadas de terem seus potes roubados (o ápice foi o grande crime de uma coleção inteira de 7 peças de vidro roubadas, foi a gota d’água para a gangue serial) que enlouqueceram de tal forma que começaram uma campanha de extermínio.

As 3 pessoas foram internadas em uma sala cheia de potes para passarem o resto da vida com eles. E a polêmica, como tudo no mundo da internet, foi logo esquecida. As pessoas voltando a roubar potes apenas 14 dias depois da prisão, de acordo com pesquisas do IBGE.