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“Também havia a possibilidade de que fossem amantes, pensou Bubis, pois é bem sabido que com frequência os amantes adotam os gestos do outro, geralmente os sorrisos, as opiniões, os pontos de vista, enfim, a parafernália superficial que todo ser humano é obrigado a carregar até a morte, como a Pedra de Sísifo…”

Para estrear a série Rapidinhas de resenhas rápidas, escolhi esses belos 5 livros que – contra o pedido final do autor – foram condensados em um baita calhamaço de 1100 páginas (aqui no Brasil umas 850) chamado 2666.

Pra resumir bem:
O livro tem uma linguagem única, como se o autor estivesse conversando com você sobre coisas que vocês dois já estão carecas de saber. Ele passeia por diversos temas e engloba todo o mundo de uma maneira muito coesa. Dá pra comparar as culturas dos países que ele visita e os tempos em que a trama se passa varia bastante, sem falhas. É preciso ter estômago para aguentar a quarta parte do livro, que descreve crimes com uma frieza  jornalística e assustadora (estômago aliás que eu não tive, tanto que tive que parar a leitura por uns meses) num capítulo que aos meus olhos nada mais é do que uma representação literária da maus pura maldade. A parte do machismo é muito bem trabalhada, (um dos capítulos exacerba o machismo até você ficar com nojo mesmo) e muita coisa termina sem esclarecimentos ou conclusões, o que pode ser meio irritante (não muito se você já se acostumou a ler Murakami), mas sem perder a magia do negócio.

Os arroubos de genialidade do autor no entanto, compensam o sentimento pesado de horror com a parte dos crimes. O livro é repleto de comparações das situações da trama com histórias gregas. Toda o leitura já vale a pena só pela parte dos críticos com o taxista no primeiro livro. E a história do livro final me faz querer ser um pouco mais como o (maravilhoso) Hans Reiter, que é um dos maiores personagens que já li. 2666 é um livro enorme, e da primeira à última página, extremamente humano, e eu o escolhi para abrir a sessão Rapidinhas porque queria começar com um livro daqueles livros que depois da leitura você jamais será o mesmo. É um desses, entende?

Podemos ver que 2666 atingiu 9 Gabos no meu fiel Medidor de Gabos, que me ajuda a dar uma nota de 0 a 10 aos nossos queridos livros.

Nota 9

Saiba mais no Skoob
2666 – Roberto Bolaño
866 páginas – Companhia das Letras

Galera, estou estreando essa coluna de resenhas rápidas, sem spoilers, sem frescuras e principalmente, sem o resumo do livro. É um prazer fazer parte da Castelo de Cartas e uma honra escrever junto com a Camis! Meu nome é Rafael Victor, sou designer, tenho 25 anos e sou um apaixonado por literatura, em especial a latino-americana, e grande fã dos livros de Gabriel García Márquez (O que explica o medidor para ajudar a dar uma nota). Espero manter essa coluna pelo menos quinzenalmente por um bom tempo. Tenho skoob.